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Republico o texto abaixo, pois toda vez que vou postá-lo no facebook ele é censurado e eu não consigo, então resolvi copiar e colar no meu próprio blog para ter acesso quando preciso, pois nada deveria ser mais natural que o corpo humano.

O original tá aqui.

Nudez e vergonha do corpo

Arthur Virmond de Lacerda Neto

arthurlacerda@onda.com.br

Imagem

Por que o brasileiro encobre certas partes do seu corpo nas praias? Décadas atrás, havia traje de banho: as pessoas banhavam-se no mar vestidas, com trajes próprios, que, nos homens e nas mulheres, encobriam-lhes o peito e a metade superior das coxas. Depois, os homens descobriram o tórax e as mulheres adotaram o “maillot”.  A seguir, o calção de banho masculino reduziu-se a as mulheres adotaram o biquini, em que se lhes ocultam as mamas e o púbis. Surgiram, a seguir, a sunga, o “fio dental” (que seria melhor designado por fio de nádegas) e a porção superior do biquíni reduziu-se drasticamente. Hoje, é mínima a parcela do corpo humano que a moral convencional obriga a encobrir, nas praias.

As mamas e a genitália feminina são, ainda, ocultas por indumentos mínimos, se é que se pode chamá-los de roupas. Na verdade, não o são; não são trajes de banho. São a expressão da mentalidade do brasileiro, segundo a qual é moralmente necessário, por decência, por pudor, por “uma questão de ética” e de moralidade, que se velem, minimamente que seja, as mamas e a genitália (as nádegas acham-se totalmente expostas, há décadas). Da mesma forma, o homem deve encobrir as nádegas, o pênis e o escroto.

Qual a racionalidade da ocultação destas partes? Nenhuma. Assim como, dantes, nenhuma imoralidade havia na exposição do peito dos homens e na abdômen das mulheres, nenhuma indecência há em as mulheres andarem de mamas ao vento e os homens de pênis solto.

Nu no metrô.

O corpo é natural (ou não?); ele não é imoral (ou é?).  Nenhuma das suas partes deve ser motivo de vergonha (ou deve?); não há regiões do corpo mais decentes e outras menos (ou há?). “Naturalia non turpia”, diziam os antigos: o natural não envergonha, não deve envergonhar, não há porque envergonhar.Qual é a justificativa racional, defensável, coerente, de se obrigar moralmente ao velamento de certas partes do corpo? Nenhuma. Por que o pênis deve ser ocultado? Por que as mamas devem ser encobertas? Por nenhum motivo; apenas e exclusivamente por causa da rotina mental, do costume, da imitação do uso, da repetição, do modelo mental a que as pessoas são condicionadas, a que aderem e que se perpetua por inércia.

Ninguém pense que a exposição da genitália é excitante. Quem nunca viu, observa, na primeira vez, por curiosidade; na segunda, ainda observa, ainda por curiosidade; na terceira, já viu e, mais do mesmo, a repetição enfara e desaparece a curiosidade e, com ela, o olhar. Ademais, pode excitar mais o encobrimento do que a exposição: imagina-se o que se não vê; o que se vê pode decepcionar…

E se a exposição da totalidade do corpo fosse excitante? Que mal haveria em que o fosse? Há mal na libido, na sexualidade, na excitação, na atração física, no interesse? Acaso nada disto existe? Acaso devemos fingir que nada disto existe? E acaso a excitação limita-se às partes encobertas? Só há excitação mercê da observação do que se oculta ou o restante corpo também atrai? E porventura, nas praias, as pessoas sentem-se todas e sempre atraídas e  excitadas com a observação dos corpos quase nus?

A experiência demonstra que a visão do nu completo não é excitante após a segunda ou  a terceira vezes:  o que já se viu torna-se sensaborão, perde a graça. Os brasileiros pensam em contrário, acreditam que o nudismo excita por quase total falta de experiência de observação da nudez total.

Há, no Brasil, raras praias de nudismo, isoladas, quase como se fossem campos de concentração ou lazaretos, cujos freqüentadores devem ser segregados. No Brasil, apesar do calor (Rio de Janeiro, quarenta graus!), ai da mulher que andar de mamas ao vento no areal da praia! Toda a gente olhá-la-a, em regra por curiosidade (nunca viram cousa tal) e haverá policial que intervenha para coibir o atentado ao pudor, duplo índice do retrógrado da mentalidade do brasileiro, para quem o descobrimento das mamas é moralmente condenado e atentatório aos bons costumes. Para mim (brasileiro) é ridículo, é primário que os bons costumes envolvam, ainda, o encobrimento de certas partes do corpo; é idiota que se censurem as mulheres por exporem as suas mamas; é sem sentido que os homens devam ocultar o seu órgão de emissão da urina.

Que diferença há entre tapar-se o bico da mama das mulheres e não o fazer? Uma tira estreita de pano amarrada nas costas; outra tira, mais estreita, sobre os pentelhos,  resguardam a moral e a decência? A sua ausência é atentatória do pudor e dos bons costumes? Pense com seriedade, reflita por um minuto, fora da rotina mental a que está condicionado: que diferença faz? Por que tais trapinhos seriam sinônimos de pudor? Por que a sua ausência é despudorada? O mesmo em relação à genitália masculina. Em que há indecência, imoralidade, atentado ao pudor, ofensa na exposição do que é natural?

Por que nas praias de nudismo a decência é diferente, a pudicícia prescinde de tapa-sexos, o corpo exposto é decente? Em que difere a moralidade do nudista da do vestido? Em que o primeiro encara o corpo como  naturalidade e o segundo associa-o à sexualidade. Erotiza-0 não  quem o expõe, senão quem o oculta: quem o expõe, fá-lo desinibidamente, sem lhe atribuir conotação sensual; atribui-lhe sensualidade quem oculta certas partes, a que atribui papel lúbrico. O nudista não pensa só em sexo; o ocultador, sim. Para o nudista, o corpo é apenas o corpo; para o ocultador, certas das suas partes são motivo de vergonha, a sexualidade é motivo de vergonha.

No areal das praias do Rio de Janeiro, se uma mulher retirar o  tapa-sexo superior, haverá quem chame a polícia, para reprimi-la por ato de despudor, como ocorreu com uma estrangeira, acostumada, no seu país, à exposição das mamas e que se perplexou com a atitude do brasileiro, que admite a nudez integral no carnaval, masculina e feminina, que suporta temperaturas de quarenta graus e para quem os bons costumes dependem de se encobrir o bico do seio.

Na Grécia, os atletas praticavam ginástica nus (ginástica provém do grego “gimnadzein”, ou seja, treinar nu). Por 550 anos, eles disputaram as célebres olimpíadas em nudez total.

A estatuária grega e romana representava os imperadores, os generais, os deuses, nus, de pênis à mostra, sem encobrimento. O corpo não era motivo de vergonha para o romano nem para o grego; era-o para os bárbaros (orientais); tornou-se tal para os cristãos, que herdaram a mentalidade dos bárbaros e não a dos gregos e romanos.

 

Merkel nua.

Revista Sol Amigo, número 152, de 1962. A senhora da esquerda não é Angela Merkel.

Na Alemanha, pratica-se o nudismo integral há cerca de 120 anos. A nudez total integra os costumes alemães. Anda-se nu, em pelo, em público, nas cidades alemãs, sem que tal seja motivo de escândalo nem de atentado à moral e aos bons costumes. Para o alemão, o corpo não é motivo de vergonha nem a nudez é sexual: é natural. Na França, na Espanha, em Portugal (em parte), na Itália (em parte), na Alemanha, na Inglaterra, na Califórnia, na Grécia, na Croácia, na Dinamarca, na Finlândia, na Noruega, na Suécia, na Califórnia e alhures, as mulheres apresentam-se, nas praias, de mamas ao vento e ninguém se escandaliza com isto nem se põe a mirá-las como objetos sexuais, exceto os brasileiros, bisonhos em tais costumes de liberdade.

Na Europa, pratica-se o nudismo doméstico: todos nus, pai, mãe, filhos; 42% dos franceses estão habitualmente nus em casa. Na Espanha, há 230 praias de nudismo. Na Alemanha, há mais de uma centena de campos e praias de nudismo e lá é costumeiro receberem-se visitas nu. Há dezenas de campos de nudismo na Inglaterra e na França. Nos E.U.A.,  passa de 200 o número de centros de bem-estar (“resorts”) nudistas. Na Alemanha, há cerca de 95 anos , com aprovação governamental, e nos EUA, há pelo menos 65, há escolas nudistas: todos nus, inclusivamente os professores.

Na Universidade de Berkeley (Califórnia), é tradicional a corrida dos nus, em que estudantes correm pelos corredores dela, nus, rapazes e moças, alecremente. Em Roskilde (Dinamarca), realiza-se, desde 1971 festival musical, em que há uma corrida de nus; também em Aahrus, na Suécia, em festival popular, correm os nus. Em Meredith (Austrália), é tradicional a corrida dos nus, em festival a que acorrem centenas de pessoas, de crianças a velhos. No deserto do Nevada (E.U.A.) é tradicional o festival Queima do Homem, musical; por ser no deserto e quente, estão todos inteiramente pelados. Na Suécia, é tradicional uma competição musical, em um bosque, com assistência das pessoas em geral, de crianças a velhos, em que os músicos estão nus. Nas Filipinas, a fraternidade Alpha Pi Omega, presente na Universidade de Manilha, promove, anualmente, a corrida e passeio dos seus integrantes, nus. Em Londres, os estudantes das altas escolas promovem o banho no Tâmisa, nus. Na Califórnia, há décadas há escolas nudistas: todos nus, alunos e professores.

 

Em inúmeras cidades européias, norte-americanas, na do México, realiza-se a pedalada nua, em que os ciclistas pedalam, de dia, em público, nus. Em Londres, concentram-se, anualmente, centenas de ciclistas. É permitido fotografar e há centenas delas fotografias na rede de computadores: as pessoas não se escandalizam nem se pejam por estarem peladas em público nem por serem fotografadas nos seus pinto, bunda e mamas. Em algumas cidades do Brasil, há pedaladas nuas, mas uma delas, de SP, foi de noite, no escuro. Percebe a diferença ?

A nudez é escandalosa? É indecente? O pinto e as mamas são indecorosos? Não, definitivamente, não são. O brasileiro é que foi ensinado a pensar que o são.

Nestes países, quem quiser, é livre de andar nu na rua, no mercado, na praça, no metrô. E as pessoas fazem-no. Reconhece-se: 1- a ausência de obrigatoriedade de vestir-se; 2- a liberdade de nudez, como soberania sobre o próprio corpo.

Liberdade de nudez, de andar nu, de não se vestir; direito de não encobrir o próprio corpo. É liberdade que as populações européias reconhecem e praticam e que o brasileiro ainda sequer concebe.

“Mas o que é que uma criança vai pensar disto?”. É exclamação (com forma de interrogação e intuito de censura) típica de brasileiros, que perguntam o mesmo em relação às manifestações homoafetivas. Perante dois homens de mãos dadas, o brasileiro convencional exclama: “O que vai se dizer para uma criança, disto?” (diga-lhe que há homens que amam homens). Perante a possibilidade da nudez total na praia ou na cidade, o brasileiro convencional preocupar-se-á (sincera e também hipocritamente) com a formação das crianças e manifestará escândalo (digo hipocritamente porque a maioria dos pais jovens negligencia a formação dos seus filhos, papel que atribui à escola, como se o professor devesse fazer de pai dos filhos alheios. Outros são hipócritas porque usam a saúde moral das crianças como pretexto sob o qual dissimulam o seu moralismo).

Se uma criança, na praia, na cidade, no campo de nudismo, vir o pênis, o escroto, os pentenhos, as nádegas, a vagina, as mamas, terá visto o corpo como ele é  e terá aprendido que tudo isto integra os seres humanos (inclusivamente ele próprio) e que  nada disto merece, razoável nem justificadamente, ocultação como critério de moralidade.

“Se eu ficar nu, toda a gente vai me olhar”. Muita gente olhá-lo-a por curiosidade, por não estar acostumada com a nudez. A nudez individual, isolada, é atrativa; deixará de sê-lo se, a pouco e pouco, as pessoas exercerem a sua liberdade e tornar-se, gradualmente, costume a exposição, a começar pelas praias.

Na praias francesas, portuguesas (em parte), italianas (em parte), espanholas, gregas, alemãs, francesas, croatas, e mais na Austria, na Suécia, na Dinamarca, na Finlândia, na Noruega, na Inglaterra, na Califórnia, na cidade de Nova Iorque e em outras,  as mulheres andam de mamas ao vento e ninguém lhes liga. Liga-lhes o brasileiro que nunca viu tal: observa-as, por curiosidade, uma vez; outra vez, ainda com curiosidade. Da terceira por diante, já viu. Na quarta, é mais do mesmo. Assim é na Europa há décadas: o europeu abandonou o preconceito de que o tapa-sexo é indispensável à moralidade, aos bons costumes, à salvaguarda da família e dos mais valores da civilização ocidental, de deus e da evitação do pecado.

Peladada Floripa 2016

Neste momento, a mentalidade dos brasileiros, quanto à exposição do corpo, é demasiadamente conservadora, convencional, rotineira, mesmo arcaica. Já foi pior, quando o cristianismo, religião repressora, por excelência da sexualidade, preponderava com o seu ethos. Em décadas pretéritas inexistia o banho de mar: que imoralidade uma mulher expor o tornozelo. O tornozelo! Poderá piorar, na medida em que se propagarem as formas evangélicas de cristianismo, atualmente em avanço no Brasil. Manter-se-á estacionária enquanto não se despertar a atenção do público em relação a tal matéria: hostilizam a nudez as gerações supra-50, cinquentagenários, sexagenários, septuagenários, octogenários, gente formada em décadas passadas, sob modelos mentais de acentuada austeridade e repressão de costumes. Gente velha, de mentalidade arcaica. Também a hostilizam os religiosos de todas as idades, para quem toda nudez deve ser negada. Gente de mente fechada, submetida aos mandamentos bíblicos.

Peladada Floripa 2016. Fonte:  http://www.pedalafloripa.com/2016/03/peladada-floripa-2016.html

O preconceito contra a nudez, a vergonha do corpo, o automatismo do seu encobrimento constituem, propriamente, heranças católicas: padrões de pensamento, de comportamento, de reação emocional, em suma,  mentalidades e costumes que se incutiu no brasileiro mercê da pregação insistente, reiterada, efetuada pelo clero católico e, agora, pelo evangélico, com aplicação de dizeres da Bíblia.

Como sempre, a Bíblia justifica o arcaísmo de comportamentos e a negação das liberdades. Daí, a existência, em décadas pretéritas, do padrão católico de vestimenta feminina e o padrão atual de vestimenta evangélica, em Curitiba, pelo menos, em que as crentes (normalmente da classe C) usam cabelos compridos, presos na nuca, a que não aplicam shampoos nem condicionadores (tampouco se pintam); vestem camisa de mangas compridas ou blusa; saia de brim azul ou semelhante, até a altura dos joelhos; calçam sandálias. Vista uma mulher trajada por esta forma, como forma de identificação de pertencimento à sua classe social, identifica-se nela mulher evangélica.

Também os jesuítas concorreram para a formação da mentalidade anti-nudez. Nos seus manuais, no século XVIII ensinava-se, nos colégios, a trocar de camisa sem se olhar para o próprio sexo e de forma que nenhuma parte do corpo se expusesse, mesmo quando o aluno estivesse sozinho: a nudez torna-se vergonhosa mesmo perante o próprio indivíduo, independentemente de olhares alheios.

Em 1920, José Tomaz de Almeida, na revista Ave Maria, publicada em São Paulo, escrevia: “escravizar-se uma senhora digna ou uma donzela, à moda indecorsa, apresentando-se de pernas expostas, tão curtas usam as saias, de braços nus, com colo e costas à mostra, provocando maus sentimentos, excitando pecados, é contra a moral, é tudo que pode haver de anti-cristão, de condenável, de verdadeiro paganismo!”

            Adiante: “O corpo da mulher deve andar velado, pois ele é o templo vivo do santuário da divindade. O dernier cri do nu, como a desfaçates da impudica e leviana, avilta e deshonra a virtude nas suas exibições”.

            “O pudor, a modéstia e a timidez, são o encanto da mulher.”

            “Encompride as saias curtas, que exibem as pernas; levantae os decotes que expõem vosso corpo; baixai as mangas que descobrem os braços; sede discretas no trajar para não vos confundir com as heroínas do vício”.

            Por sua vez, o padre Ascânio da Cunha Brandão, na mesma revista Ave Maria, em 1936, verberava os costumes de liberdade dos alemães:

Aí está por exemplo a Alemanha, mandando buscar nas ruínas da Grécia pagã o fogo sagrado para a suas Olimpíadas e prestando à carne e aos deuses pagãos um culto que excede as raias da estupidez e do ridículo.

            Os deuses! A Grécia! As Olimpíadas! O nudismo! O atletismo!”

Adiante: “Não é condenável, por exemplo, este espetáculo de vergonha e despudor que nossas praias de banho? Este nudismo escandaloso está reclamando uma medida enérgica. É incrível!”.

            Em 1944, o mesmo padre, em outra colaboração com a revista, asseverava:  “Sim, a Igreja, ou melhor, a moral católica reprova como ocasião de pecado e de escândalo, o nudismo exagerado nas praias e o banho em comum na promiscuidade dos sexos”. Pretendia ele que as mulheres usassem maiô (peça de vestuário que lhes velava o tronco, das mamas à virilha) e que os homens e as mulheres freqüentassem o areal da praia separadamente, à maneira do regime de segregação da Africa do Sul, em que se isolavam os brancos dos negros.

O ethos católico de velamento do corpo perpetuou-se, como dado da formação dos costumes brasileiros; o que há de mais imbecil, mais retrógrado, mais tacanho, mais obtuso, mais burro da igreja católica inveterou-se nos costumes do brasileiro. As pessoas já não se lembram de pregações deste tipo, porém praticam os comportamentos correspondentes porque se lhes criou uma verdade e uma ética, que considero verdadeira porcaria mental e moral.

O exercício da nudez e o uso da vestimenta compreendem formas de liberdade. Na Alemanha e em outros países europeus, há a liberdade de vestir-se e a de não o fazer. Veste-se quem o quer fazer e anda nu quem entende fazê-lo: isto é liberdade.  Não significa que os alemães exibam-se preferencial ou corriqueiramente desnudos, porém a desnudez não os escandaliza. Não é que prevalece no Brasil.

A moralidade liga-se aos valores, ao senso de verdade, de solidariedade, de probidade, à disciplina pessoal, à generosidade, à paciência, à compreensão, à empatia, à perseverança, ao estudo, ao cultivo de si próprio, à aquisição da cultura, aos bons modos, à colaboração. A moralidade não se prende à repressão da sexualidade (até certo ponto) nem ao velamento de certas partes do corpo, tampouco à obediência à textos da Bíblia nem a padrões de comportamento baldos de sentido.

Há moralidade e há moralismo. Aquela envolve a liberdade pessoal e de costumes; este compreende, também, padrões de comportamento liberticidas e irracionais. É o caso, a segunda, do brasileiro, em relação à nudez. Oxalá evoluam eles do moralismo para a moralidade; da censura que praticam por rotina para a liberdade de que aprendam a usufruir.

Nos últimos meses, repetiram-se casos de nudez em público em Porto Alegre e em Curitiba. Houve, pelo menos um caso, também em Brasília e outro em Jaraguá do Sul, em meses recentes.

São sinais dos tempos. São indícios de que há modificações nas mentalidades e nos costumes: tendem, uns e outros, para menos vergonha do corpo, menos pudor, menos preconceitos artificiais, mais naturalidade, mais liberdade, mais cada um ocupar-se menos da vida e do corpo alheios.

O desnudamento já não mais isolado, porém multiplicado; não protestatário, porém sereno; não afrontoso, porém respeitoso; não exibicionista, porém discreto, revela uma nova realidade axiológica e comportamental. As pessoas começam a aceitar a nudez em público; porém raras ousaram, até o presente, praticá-la.

Os quatro ou cinco nus de Porto Alegre, os quatro ou cinco de Curitiba, não são delinqüentes nem exibicionistas sexuais; as suas manifestações, idênticas, não constituem coincidências extraordinárias. Salvo o caso de dois, doente psiquiátrico e de outro, drogadicto (segundo veicularam os meios de informação), os demais foram precursores, cujo desassombro levou-os à iniciativa de que outros compatriotas se abstém por timidez e, máxime, por temor da reação policial. Eles exprimiram sintoma de novas realidades na sociedade brasileira.

A nudez repugna a certos velhos, educados há cinquenta, sessenta e mais anos, em pretérito de valores e de mentalidades que se anacronizaram. Também repugna a certos religiosos, cuja gimnofobia resulta dos dogmas que professam. Nem os arcaísmos mentais nem os sectarismos devem balizar a ação policial (sobretudo, no caso da repulsa religiosa, à luz da laicidade do Estado brasileiro).

No âmbito da liberdade individual, velhos (e gente de todas as idades) e religiosos (crentes de quaisquer religiões) dispõem da faculdade de enfarpelarem-se com toda a austeridade. Não dispõem da autoridade de imporem-na a quem não compartilha das suas convicções nem é justo o Estado, ao legislar, ao judicar, ao atuar junto do cidadão (é o caso da polícia) pautar-se por critérios de minorias, que restringem, injustificavelmente, as liberdades, seja da maioria, seja de outras minorias.

É papel também do Estado observar o estado de coisas que se apresenta, reconhecer nele tendências sociais, respeitar os cidadãos, adaptar-se à evolução da sociedade brasileira e revogar o infeliz artigo 233 do Código Penal (ato obsceno).

Na França, em 1994, revogou-se o crime de atentado ao pudor, análogo ao deste artigo e substituiu-se pelo de exibição sexual.

É diferente a nudez pura e simples, da exibição sexual. Estar nu não equivale a exibir-se eroticamente, mesmo porque tal exibição é suscetível de ocorrer em vestidos. Presumo que em outros países europeus o tratamento legal da questão seja igual ou análogo.

Enquanto o nudista não cometer importunação, enquanto limitar-se a estar nu como se estivesse trajado, é indiferente, é irrelevante a sua nudez; nestas condições, ela diz respeito ao próprio e não a outrem, e não à polícia nem ao Código Penal.

Atualize-se, a lei, quanto aos costumes. Entenda ela a evolução dos comportamentos. Compreenda o anseio por liberdade. Enxergue inocência onde ela existe.

Não tolha, o Código Penal, a liberdade dos cidadãos. Não veicule valores de que a sociedade se vai dissociando. Não confunda nudez natural com impudor. Não imagine crime nem maldade onde existe inocência em face da lei e das intenções. Não reprima o que a lei não proíbe.

Proteja o Código Penal o cidadão pacífico, no exercício legítimo das suas liberdades e dos seus direitos; defenda-nos de quem nos mata, nos estupra, nos rouba, nos ludibria, de quem nos causa, realmente, mal. Não reprima os nudistas, que, estes, são cidadãos de bem, como quaisquer outros vestidos.

Por todos estes motivos, considero oportuno e bem-vindo:

1-revogar-se o artigo 233 do Código Penal,

2-autorizar-se o desnudamento das mamas em todas as praias do Brasil (monoquíni, vulgo “topless”),

3-autorizar-se a nudez integral em todas as praias do Brasil ou, pelo menos, facilitar-se a multiplicação de praias de nudismo ou a delimitação de áreas nudistas nas praias têxteis (de gente semi-vestida).

Agora,preste muita atenção nisto: em Direito, o que não está proibido, está permitido. Não há, no Direito brasileiro, nenhuma regra que proíba a nudez em público; logo, ela é permitida. Sim, é permitido estar nu em público no Brasil. Há o artigo 233 do Código Penal, que pune o crime de ato obsceno. Obsceno é o que envolve sexualidade afrontosa, conforme os padrões sociais predominantes. Estar nu não é ato, é condição; estar nu não é obscenidade, é naturalidade. A polícia não deve e não pode reprimir quem anda nu em público. Quando o faz, ela atua como agente de mentalidade arcaica, veicula valores sem sentido, reprime indevidamente o cidadão na sua liberdade e pratica, ela, polícia, o crime de constrangimento ilegal, ou seja, obriga a cidadão a fazer o que a lei não o obriga (encobrir-se). Foi o que eu disse, por escrito, aos comandantes da PM do PR e da Brigada Militar do RS.

Demais, o que seja obsceno varia com as mentalidades. O Código Penal brasileiro data de 1940; estamos em 2016: os critérios não podem ser os mesmos. A polícia não pode reprimir, por alegada obscenidade, em 2016, como se estivessemos em 1940.

Na Inglaterra, Alexandre Sutherland Neill (1883-1973) criou a escola Summerhill, em que os próprios alunos criavam as regras porque nela se regiam (auto-regulação). Laico, o seu ensino era destituído de inculcação religiosa (pelo que os seus  alunos desenvolviam-se fora do conceito de pecado e do sentimento de culpa que ele origina) e fora da repressão da masturbação e da nudez, pelo que os seus alunos adquiriam a saúde psicológica de que tão freqüentemente eram privadas as crianças e os jovens educados sob a censura da sexualidade, em geral, e sob a obrigação de ocultarem o seu corpo.

A nudez, observava Neill, jamais deveria ser desencorajada. O bebê deveria ver seus pais despidos, desde o princípio”. Em Summerhill,  prevalecia “atitude absolutamente natural” (Liberdade sem medo, p. 213. São Paulo, Ibrasa, 1977), acerca da nudez, em resultado do que, os seus alunos não desenvolviam curiosidade mórbida por corpos (femininos nem masculinos), não se tornavam mixoscopistas, não se envergonhavam diante do desnudamento alheio, não  se vexavam por serem vistos nus por outrem.

Um casal, pais de filhos crianças, adotaram, com hábito, o desnudamento doméstico, ao que A. Neill observou à mãe: “A nudez no lar  é excelente e natural. Seus  filhos, mais tarde, evitarão muito o sexo doentio.  É improvável que um deles se torne um `voyeur´, pois que terão visto tudo quanto há para ver” (Liberdade sem excesso, p. 64. São Paulo, Ibrasa, 1976).

É hora de os brasileiros perceberem a falta de sentido da mentalidade anti-corpo; a ausência de inerência entre nudez e sexualidade, entre sexualidade e culpa, entre nudez e vergonha do corpo, entre velamento das mamas e do pênis e moralidade. É altura de os brasileiros descobrirem o direito à nudez natural, de manifestarem-se a respeito, por palavras e gestos.

A nudez natural não implica a exposição de corpos belos, esbeltos, de homens musculosos, de mulheres vistosas; da exibição de padrões de beleza nem de pênis avantajados, compridos, grandes. Assim como não é questão de sexualidade, tampouco o é de consagrar padrões de beleza nem de ostentar pênis grandes. Na nudez natural, é indiferente o tamanho do pinto e a beleza do corpo – dimensão fálica e padrão de beleza não são valores do nudismo; são-no da sociedade machista, de homens de mentalidade tosca, que identificam tamanho de pinto com masculinidade, e da sociedade fútil, que julga as pessoas pelas aparências. No nudismo não é assim.

Se gostou, divulgue esta idéia. Vamos agitar, tomar iniciativas, tomar atitudes, promover manifestações.

(Quanto às fotografias, não é questão de se preferir homens ou mulheres vestidos ou nus ou semi-nus; não é questão de gênero nem de sexualidade.
É este, precisamente, o ponto: não é questão de sexualidade (homossexualidade nem heterossexualidade) e sim de naturalidade. Homens e mulheres, mulheres e homens, nus, são igualmente naturais; não se trata da atração erótica e sim, precisamente, de retirar a erotização do nu: eis a grande lição da Alemanha nua.).

(Em ginásios de musculação de Curitiba, os homens despem-se nos vestiários, porém naõ de todo: exceto a cueca, com que ingressam na cabine do chuveiro. Os chuveiros constituem compartimentos em que cada indivíduo acha-se isolado dos demais. Ninguém vê ninguém no banho. Os homens retiram-se da cabine do chuveiro de cueca: não querem expor a sua genitália. Será, talvez, porque se masturbam durante o banho e desejam ocultar a tumescência do seu pênis, efeito para o qual a cueca é providencial. Provavelmente, contudo, não é por isto que entram na cabine de cueca e dela se retiram, também de cueca, e sim porque prevalece, em Curitiba, a pudibundaria, a necessidade de os homens ocultarem o seu corpo, a vergonha da genitália, a genitália como parte indecente. No vestiário masculino, entre homens, os homens ocultam a genitália uns dos outros. Parece convento. E tal se passa em , em Curitiba, onde é comum a gabolice de é cidade “européia”. “Européia” com mentalidade e usos de terceiro mundo. Nos E.U.A. e alhures, os chuveiros são abertos, destituídos de paredes entre os seus usuários que, assim  vêem a nudez do seu vizinho, com naturalidade, sem a introdução, mesmo inconsciente, de que certas partes do corpo devem ser ocultadas. Menos mentalidade bíblica e mais naturalidade. Curitibano atrasado).

Vide, da minha autoria, “Mamas ao vento e pênis à mostra”, “A nudez é inocente”, “A favor da nudez” (em que trato, também do artigo 233 do Código Penal), “Envergonhar-se do próprio corpo é obrigatório!? Prédica nudista” (sermão de pregador nudista), todos neste sítio. Procure em “Nudez.”.

Minha carta ao comandante da Brigada Militar do RS, em prol dos nudistas que andaram em público em Porto Alegre (esta carta é igual à que enviei ao comandante da Polícia Militar do PR): aqui.

Minha carta à Ministra dos Direitos Humanos pela revogação do artigo 233 do Código Penal e em favor da liberdade de nudez aqui.

“A favor da nudez”:  https://arthurlacerda.wordpress.com/2014/11/18/a-favor-da-nudez-2/

Esse post foi publicado em Nudez. Naturismo..

 

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Como já dizia o cantor:

“Hiprocrisiiaa… eu tenho uma pra viveer! Pra viveer…”

Ops, acho que não era bem isso.

Mas a paródia à Ideologia, de Cazuza, ainda cabe. Em tempos, em que o dualismo de ideologias talvez só tenha estado tão em voga (e tenho cá minhas dúvidas) na Guerra Fria, pessoas trazem consigo, física e atualmente também virtualmente, discursos ideológicos cada vez mais cheios de sentimentos, outras de conteúdos inclusive. Mas na prática a coisa não é bem assim.

Vale lembrar a regra máxima do respeito, ou da liberdade:

Minha liberdade termina quando começa a liberdade da próxima.

E como tenho me revoltado muito com os discursos vazios e a hipocrisia do dia-a-dia, fiz uma lista de exemplos pra ver quantos nos identificamos. Não que eu seja perfeito. Não que não tenhamos intenção de fazer uma coisa mas consigamos agir exatamente ao contrário de vez em quando. Não que não sejamos ignorantes e diversas vezes nem percebemos a hipocrisia em nosso discurso. Mas temos que ficar ligados e por isso fiz esta lista: pra galera se antenar. Existem hipocrisias de todos os tipos e magnitudes. Vamos lá?

Hipocrisias no trânsito:

  • Reclamar de engarrafamento mas ir de carro pro trabalho.
  • Reclamar do trânsito parado mas estar sozinho dentro do carro.

Hipocrisias ambientais:

Tem nível superior ou está na faculdade, portanto já estudou pelo menos 12 anos da vida e ainda:

  • não sabe apagar a luz ao sair dos ambientes;
  • não sabe guardar bituca de cigarro pra jogar na lixeira;
  • aliás, nem sabe jogar lixo seco nas lixeiras e ainda joga no chão, ainda mais as feitas para recicláveis.

Outras ambientais:

  • Fazer campanha para abaixo-assinado para salvar as baleias, mas jogar plástico nas ruas ou comer carne.
  • Tem dó de cachorro ou animais abandonados ou de maltratos a animais (cães, cavalos, gatos), mas come carne de animais criados confinados.
  • Se preocupa com a preservação dos mares, e/ou tem adesivo no carro “Destrua as ondas, não as praias”, mas come peixes (que foram pegos em pesca industrial e levam à maioria dos bichos aquáticos à extinção).

Hipocrisias Sociais:

Pessoas em situação dominante, ou não oprimidas tomando decisões importantes pelas oprimidas sendo que estas estão presentes.
Bora desenhar, digo, descrever:

  • Homens brancos tomando decisões que afetam mulheres negras;
  • Homens hétero cisgênero tomando decisões para mulheres ou para pessoas não cis (trans, gays, bi);
  • Ricos tomando decisões que afetam aos pobres;
  • Religiosos tomando decisões que influenciam na liberdade de pessoas não religiosas.

Outras sociais:

  • Policiais enfrentando/batendo em civis que se manifestam em luta pelos direitos dos policiais.

LINKS – LEIA TAMBÉM:

Páginas interessantes sobre o assunto, com outras opiniões. Leituras complementares. (Os links a seguir não necessariamente representam a opinião deste autor, alguns inclusive contradizem. Tem, portanto, função de enriquecer a discussão e fazer você desenvolver sua própria opinião.)

1.

 

Nesta madrugada recebi um convite de um amigão, ambientalista mas partidário do governo municipal e federal.

Em seguida respondi ao convite, pois se tratava de um projeto de hortas urbanas para baixa renda, algo de veras interessante visto o prefeito que temos, mesmo eu questionando os meios. Eis que inicia uma conversa que durou uma horinha, e a transcrevo abaixo pois considerei mega didática, explico-me:

Se eu tivesse criando um texto dramatúrgico com esse tema querendo mostrar o estereótipo da visão de um governante versus a visão de um ecoanarquista, não sairia tão bom!

Segue o texto, o nome e a foto do amigo serão ocultados por razões óbvias, pois realmente não vem ao caso.

SEX 2/6/2017 23:48

Amigo
Amigo

 

SEGUNDA-FEIRA (05 de Junho de 2017), às 14:30, acontecerá a Assinatura do Decreto de Criação do Programa Municipal de Agricultura Urbana. A cerimônia também será na Sala de Reuniões do Gabinete do Prefeito (Rua Tenente Silveira, 60, 5º andar – Centro).

SÁB 3/6/2017 02:09

Marcelo
Muito legal
Demais mesmo. Obrigado
Amigo
Lembrei de ti
Vais lá
Marcelo
Verei a possibilidade. Tenho interesse sim
Amigo
Legal
Acabei de ter uma decepção Estudando culinária
Marcelo
Hahaha que passou?
Amigo
Descobri que o Califórnia Roll
Foi inventado em Vancouver
Marcelo
Hahahaha
Amigo
Esse mundo 50% das coisas são fake mesmo
Marcelo
E nem existia um original de referência pra chamarem de tipo
É a clássica piada que fazem do chapéu Panamá
Que não é de lá
Amigo
Hahhaa
Mas esse eu achei que era mesmo
Marcelo
Pois é… Coisa estranha. Na Europa valorizam muito a origem, que dá nome ao alimento. Na América querem ganhar em cima do que der dinheiro. Então o direito autoral surgiu com o capitalismo selvagem americano (do norte)… Faz todo sentido. Isso é muito raro na europa
Ao menos calabresa vem da Calábria, champagne da França e por aí vai… Ainda.
Amigo
Japan to honour Vancouver chef credited with inventing California roll
The Japanese-Canadian sushi chef who is said to have invented the California roll will be honored Thursday by the Japanese government for his role in promoting Japanese cuisine.
ctvnews.ca
Marcelo
Hahaha
Mas será que a pizza Califórnia foi inventada lá?
Se sim pode ter sido só homenagem, pelo mais que eu não veja relação
Amigo
Pse
Tava lendo essa semana sobre a baunilha do cerrado
Tu já viu?
Baunilha do Cerrado – Slow Food Brasil
O Slow Food é um movimento internacional que reúne pessoas apaixonadas por gastronomia, celebra o alimento de qualidade e o prazer da alimentação, conheça a atuação do Slow Food no Brasil. Fazem parte dessa rede: cozinheiros, pesquisadores, comunidades de produtores de alimentos etc. É um movimento…
slowfoodbrasil.com
Marcelo
Sim, tô ligado. Não li mas já havia estudado sobre e ouvido a respeito
Tivemos uma palestra nesta semana com uma amiga, colega, que trabalha com o slow food e falou do projeto Arca do gosto
Esse sim é uma puta ótima referência
Amigo
Me.conta mais
Marcelo
Não sei muito, mas é coisa do slow food, pela preservação e valorização dos pratos e tradições locais
Usando alimentos endêmicos
Amigo
Legal
Eu estava estudando temperos e daí descobri a baunilha do cerrado
Marcelo
Seria como criar um projeto pra salvar o berbigão da tapera
Amigo
Dá 300 a 400 kilos por hectare
O kilos está 250 dólares
Marcelo
Mas esse não tem salvação, visto que o aterro da baía que levou ele a extinção
Marcelo
Claro que pra capitalista o valor é o que importa. Já pra naturalista é a valorização da genética endêmica através da cultura local. O ambientalista vai querer valorizar o que é de lá ao preço que for. O capitalista vai levar sementes e tentar produzir igual em outro local mais barato, e assim criar o tipo comercial. De preferência produzindo em grande escala, e fazendo baixar o preço, e levando a comunidade original à pobreza, consequentemente a extinção do recurso que deu nome ao produto. Essa é a diferença entre um naturalista e um capitalista.
Marcelo
É por isso que o slow food luta pela valorização do lado NO local
Amigo
Eu estava pensando em plantar baunilha para aumentar a renda de famílias carentes
Marcelo
Pra famílias carentes tem muitos produtos rentáveis. Se aumentar a produtividade vai cair o preço
Pra famílias carentes ensine a plantar agrofloresta biodiversa onde terão todos os alimentos que precisam pra viver, e não commodities
Onde ficarão independentes do mercado em caso de crise e não reféns dele caso o preço caia.
Amigo
Mas a conta que eu fiz era
1 hectare
Daria uns 230 mil de baunilha
Por baixo
Da de pagar todo o projeto
Contratar uns dois agrônomos uns dois botânicos
E ainda dar uma bolsa de 1500
Para 80 adolescentes
Marcelo
Mas pra produzir isso precisa de uma floresta preservada, um clima igual o de lá, e se der certo vai baixar o preço, e levar as famílias de lá a terem que cair nesse papo e destruírem a floresta pra plantar algo que de dinheiro, assim o ciclo se perpetua
Amigo
Da de plantar no sertão do Peri
Eu acho
Marcelo
Pense localmente, sempre
Valorize o local
Amigo
Tinha um francês que plantava baunilha lá.
Foi embora não sei pra onde
Marcelo
No sertão do peri tem uma cultura local. O que ela tem de diferente. Valorize isso e não traga de fora
Amigo
Da de fazer os dois né
Sempre monto projetos que não. Dependem.do governo
Que são sustentáveis por si
Marcelo
Ainda assim, se pensas na comunidade, no social, não pense no retorno financeiro
Se são sustentáveis não dependem de dinheiro
É contraditório
Amigo
Eu não acho
Tudo.tem.custo
Quanto um botânico vai cobrar
Marcelo
Isso é o que dizem economistas. Eles querem que tenha, senão não terão emprego, rs
Custo sempre tem. Financeiro que não necessariamente
Amigo
Quanto um botânico vai cobrar
Tu consegue 8 instrutores de graça por. 2 anos para um projeto desses ?
Marcelo
Não pense quanto que ele vai cobrar. Pense: se a comunidade local já sabe fazer , pra que vai precisar um botânico? E depois, o que eles precisam pra viver? Esse é o custo. A sustentabilidade está em fazer o local produzir tudo o que precise pra viver
Amigo
6.1. Impactos Econômicos Promoção da autonomia financeira dos beneficiários através da geração de renda: por mais que durante a participação no projeto, os hortelãos ainda dependam de subsídios da Prefeitura com a ajuda financeira, de materiais e sementes, ao atingirem a emancipação, os sujeitos começarão a gerar renda através da venda de sua própria produção. Desta maneira, o projeto visa a transformação de cidadãos que antes eram considerados uma desvantagem econômica ao Governo por dependerem de verbas públicas, em pessoas ativas economicamente, em potenciais consumidores de produtos e serviços, contribuindo para a dinâmica econômica urbana. Há diminuição de gastos com a alimentação, uma vez que os próprios hortelãos consomem os excedentes da produção da horta. Além disso, o projeto oferece empregos dentro da comunidade, não havendo necessidade de grandes deslocamentos (o que é bastante atrativo numa cidade onde os transportes públicos são ineficientes e o trânsito se encontra cada vez mais intenso) e acessíveis aos moradores. Com isso, também há a menor procura dos jovens para entrar no mercado do tráfico de drogas, onde na equipe de Manguinhos há jovens que trabalhavam com esta atividade e buscaram o emprego de hortelão no projeto. Estímulo à economia solidária: desde o início do projeto, os beneficiários são inseridos em uma nova forma de gestão de trabalho e divisão dos lucros de base associativista e igualitária. Os hortelãos realizam a autogestão da horta e o método de trabalho em mutirão. E mesmo durante o desenvolvimento da horta com o aparecimento de problemas e divergências na equipe, os gestores do PHC buscam soluções em conjunto com os hortelãos, utilizando-se dos saberes e experiência dos integrantes e fortalecendo os laços de cooperação.
Marcelo
E não no valor financeiro disso
Amigo
onde o cenário de extrema violência, desigualdade econômica e descaso político influencia na formação de suas opiniões, percepções de mundo e personalidades. Então, princípios como cooperação, altruísmo e igualdade são de mais difícil concepção e desenvolvimento para estas pessoas que convivem em um ambiente hostil, e dentro de uma sociedade que estimula o individualismo e a competição, cujo cenário político é marcado pela corrupção, do que para indivíduos que vivem em um ambiente harmonioso com referências positivas como solidariedade e cooperação.
Marcelo
É isso aí. Mas tudo melhora justamente por melhorar a qualidade de vida e independência.
Marcelo
A diferença é que um projeto de verdade quer a independência e vai fazer isso com toda a comunidade. Um político (queiro) não quer que uma comunidade fique independente dele, senão vai perder votos. Isso pode acontecer em nível micro, por exemplo um líder de comunidade. É por isso que os contatos pra iniciar um projeto desses não podem ser com as lideranças comunitárias, e sim diretamente com o povo. Mas isso dá muito mais trabalho.
Marcelo
Mas a ideia é ótima, é por aí mesmo.
Amigo
Então
Eu calculei 4 profissionais acompanhando a comida do por 2 anos
A comunidade por 2 anos
Até eles tocarem sozinhos
Só de agrônomo e botânico dá uns 15 mil mês
Material uns 20 mil mês
Fora as bolsas
Marcelo
Tudo bem se quer pensar assim, mas se quer a sustentabilidade pense em valorizar um produto e cultura local, e a diversidade do lugar, em vez de importar outra cultura, entende? Vise a autonomia completa
É não apenas financeira
Amigo
Tu já pensou a Alemanha sem batata?
Eu sei Marcelo
Mas.tem que começar
E o melhor jeito é ser viável economimente
Marcelo
É um ponto de vista de alguém que acredita no capital. Normal. Se fosse o certo não haveria fome. As pessoas felizmente não comem dinheiro, e por isso não é sustentável.
Cooperativas deixam de dar certo qdo dão lucro a alguém, não é a toa.
Amigo
Mas tu iria trabalhar lá sem ganhar nada
?
Marcelo
Elas passam a eleger sempre os mesmos e deixam de ter o espírito real de cooperação…
Claro, Não precisa de dinheiro pra viver. Preciso de comida, casa, transporte, diversão… E não dinheiro. Se monetarizar isso, acaba a verdade e passo a viver de ilusão. Se meu trabalho (que não é a mesma coisa que emprego) me der tudo o que preciso não precisarei de dinheiro.
Entende? Inverta a lógica. Isso é sustentável de verdade.
Amigo
Sim Claro
De economia já li quase tudo
Inclusive to vendo a regulação da bitcoin
Em Brasília
Mas falando especificamente desse projeto
Marcelo
Rs
Amigo
Se tiver um jeito de fazer sem dinheiro eu faria
Eu por exemplo não vou ganhar nada
Marcelo
Esse povo que vive do econômico, rs
Já ganhas, como acessor, imagino
Amigo
Agora se tu conseguir voluntários formados comprometidos
Marcelo
Se não vai ganhar nada quer dizer que vai deixar de ser acessor?
Amigo
É assessor
Eu não
Sou funcionário concursado
Marcelo
Cara, se buscar local, se consegue. Mas se deixar entre a liderança local existente, estes vão colocar o amigo, pois querem manter o poder… E não o mais capacitado. Aí o projeto vira um natimorto.
Então, melhor, vc sendo concursado já ganha teu salário. Isso é bom. Mas já estás fazendo isso em hora extra imagino?
Amigo
Como assim?
Marcelo
Entende que o que importa não é o dinheiro?
Rs… A conversa vai longe.
Amigo
Já falei lá em cima que entendi
Eu sei que até novembro
Marcelo
Dá vontade de copiar ela e publicar. Acho que está bem didática.
Amigo
Que implementar um projeto
Marcelo
Acho muito massa isso
Amigo
E tirando eu
Todo mundo quer cobrar
Hahaha
Até esses caras se ônus
Marcelo
Quero só te ajudar a pensar numa forma que teu projeto de certo, percebe?
Amigo
Ongs
Então
São dois anos
Até a população tocar por si
Marcelo
Sim, entendo. Eles estão dentro de um sistema que pensa assim
Amigo
Até la
São dois agrônomos dois botânicos
4 peões auxiliares
Material de trabalho
E para não depender eternamente de verba ou doação
Marcelo
Mas só te digo uma coisa. Não entre com um produto definido. Deixe, de verdade, que a comunidade local decida com o que eles querem trabalhar
Amigo
Tem que ter algo que de retorno
Mas não precisa ser só aquilo
Eles podem plantar mandioca. Maracujá. Temperos
Mas tem que ter algo que de de fazer o projeto se manter por si
Marcelo
Claro.
Marcelo
Mas o se manter não precisa ser financeiramente. Talvez no começo, já que estamos num sistema que ainda não sabe pensar diferente, tem que ser. Mas o objetivo final não pode ser esse, e sim o da independência, da soberania alimentar comunitária sem importar nada de fora. Só assim eu acredito que será viável de verdade no futuro. Pq além disso, o resto é literalmente lucro.
Marcelo – 03:34
Boto fé nas tuas intensões, e espero que o que falo, falamos, ajude em algo. 😉
Altas conversa meu amigo. Mas meu braço tá véio pra teclar tudo isso no celular… Vou dormir. Muito obrigado pela inspiração, bom papo mesmo pra madrugada!

 

 

Pessoas,
se amem antes de qualquer coisa.

Isso é muito importante, mesmo.

O quanto vejo de gente querendo ser amada pelo mundo afora mas não se aceitando do jeito que veio ao mundo.
Antes de mudar a si, se aceite.
Então mude apenas para variar, pois é sempre bom mudar.
Mas até mudar é bom que seja com consciência,
senão podes achar que está mudando e só está indo na onda.
Pra mudar também tem que se conhecer, saber como se é.
Então se aceitar, gostar de si.
Depois disso, mude!
Se colore, se raspe, se pele, se esfole, se tatue, cicatrize-se, transforme-se como quiser.

Então experimente-se!
Antes de pintar ou descolorir o cabelo, de virar loiro ou grisalho (convenhamos, fazer luzes é agrisalhar-se), antes de alisar ou fazer cachos ou dreads, se aceite.
Todo mundo tinha que ficar careca, zero, uma vez na vida. Assim se conhece de verdade.
Todo mundo tinha que raspar tudo,
e também deixar todos os pelos do corpo crescerem ao seu máximo,
uma vez na vida ao menos,
até pra se saber como se é de verdade.

Todo mundo tinha que passar uma semana ou mesmo uns dias sem tomar banho,
pra sentir seus verdadeiros cheiros.
E então fazer uma dieta alimentar e de hábitos superabsurdamentemegahipersaudáveis por um mês,
pra saber como se sente assim, o que isso altera nos teus sentidos.

Todo mundo tinha que morar sozinho,
completamente sozinho,
Sem namorados, sem amigos, sem parceiros, sem faxineira,
pelo menos um ano de sua vida.
Pra se conhecer, pra ter carências, pra fazer bobagem, pra aprender a se virar, pra perceber que se é aquilo que seus pais se queixavam e você negava, pra crescer.

Todo mundo tinha que se masturbar mais,
pois só se tocando, amando e se conhecendo vai saber amar os outros, perceber os outros.
Fazer isso de formas diferentes, sem frescuras, sem pudores, sem medos, mesmo que com cuidados.

Todo mundo tinha que viajar completamente sozinho por pelo menos um mês pra lugares desconhecidos e sem pacote turístico,
pra conhecer seu verdadeiro eu, pra testar sua ética e seu discurso.

Todo mundo tem que escrever um livro, criar um filho e plantar uma árvore, entre tantas outras coisas na vida.
Não deixe a vida passar não…
se não tem tempo, agende-se,
pois senão a vida passa e não aprendeu a se amar.

(marcelo venturi inspirado, antes de voltar pra tese)

A permacultura tem três princípios éticos e vários princípios de planejamento, que pelo cocriador da permacultura, David Holmgreen, seriam em 12 que nos ensinam o que deve ser percebido e estimulado ao se planejar um ambiente humano visando sua permanência, durabilidade.

Já os princípios éticos da permacultura seriam:

  1. Cuidar da terra,
  2. Cuidar das pessoas, e
  3. Compartilhar excedentes (inclusive conhecimentos) OU Partilha justa OU Limites ao consumo OU … ??????????????????????????????

Os princípios éticos, em alguns momentos já foram considerados em quantidade de quatro justamente pelas polêmicas relacionadas ao terceiro princípio.

Então aqui traduzo um artigo que trata justamente desse polêmico terceiro princípio ético da permacultura.

 


 

O controverso terceiro princípio ético da permacultura

por Tobias Long (?), tradução de Marcelo Venturi, do artigo original postado em 6 de abril de 2017 pela World Wide Permaculture.

O coração da permacultura é enraizado na adesão na filosofia dos seus três princípios éticos. Os dois primeiros, Cuidar da Terra e Cuidar das Pessoas, têm sido amplamente aceitos pela comunidade pelo que eles são – simples e lógicos. A terceira ética, no entanto, tem sido objeto de algum debate[1] entre os praticantes de permacultura por muitos anos.

De fato, a discussão em curso sobre as várias interpretações desta terceira ética pode oferecer alguma explicação sobre por que a filosofia da permacultura não se tornou um conceito mais popular – apesar de ter sido abraçada por comunidades e profissionais em todo o mundo.

Limites e equidade

Inicialmente, a terceira ética foi introduzida como “Estabelecer Limites à População e ao Consumo“, mas tem sido expressa em uma ampla variedade de maneiras diferentes desde então: “Partilha Justa” (Fair Share), “Limitar o Uso de Recursos e População“, “Compartilhar Excedentes” [inclusive conhecimentos] e “Viver com Limites“. Embora exista, obviamente, uma sobreposição entre essas expressões, a ideia de que a terceira ética é um pouco aberta à interpretação deixa um pouco de interrogação quanto à aplicação desses princípios no design da permacultura.

O significado por trás da terceira ética, de acordo com o Permaculture Designer’s Manual escrito por Bill Mollison, é a teoria de que “ao governar nossas próprias necessidades, podemos definir recursos à parte para focar os princípios anteriores”, referindo-se às duas éticas anteriores da permacultura. No entanto, quando a frase é abreviada apenas para a ideia de “estabelecer limites para a população”, pode levar a mal-entendidos – particularmente por militantes da justiça social, que levantaram preocupações em torno de genocídio e eugenia que poderiam ser falsamente encontrados nesta frase.

Na década de 1980, o pioneiro da permacultura dinamarquesa, Tony Andersen, reformulou a terceira ética como “Partilha Justa” (Fair Share), em um esforço para evitar qualquer discussão sobre esses conhecimentos controversos. Mas enquanto esta frase simples soa agradável quando combinada com as duas outras éticas, deixa para fora uma das idéias principais atrás deste terceiro princípio ético – o conceito de projetar dentro dos limites.

População vs Uso de Recursos

Os ecologistas definem a “capacidade de carga” como o tamanho da população que um ambiente pode sustentar durante um período de tempo, levando em consideração os vários recursos disponíveis nesse ambiente. Quando a quantidade de recursos requerida por uma espécie for igual à quantidade de recursos disponíveis, a capacidade de suporte é atingida. Se a população continuar a aumentar e a quantidade de recursos não, a natureza corrige o desequilíbrio, garantindo que as taxas de mortalidade subam acima das taxas de natalidade – deixando a população de volta abaixo da capacidade de carga.

Este é o desafio apresentado pela terceira ética da permacultura – viver dentro dos limites, para manter nossa população global e o uso de recursos sob a capacidade de carga. À medida que a nossa população aumenta, haverá obviamente menos recursos disponíveis para cada indivíduo. Permacultura tenta usar o design sustentável para determinar um uso médio dos recursos que pode ser mantido por um longo período de tempo, o que é parte da teoria por trás dessa terceira ética controversa.

À medida que uma escassez global de alimentos surge como resultado do impacto negativo da mudança climática sobre as safras, a ideia de capacidade de carga e de viver dentro dos limites torna-se ainda mais necessária. No entanto, o maior problema que enfrenta o nosso planeta não é necessariamente uma crescente população nos países menos desenvolvidos, mas sim o excesso de consumo das populações ocidentais o que mais contribui para o nosso desequilíbrio no uso dos recursos.

Esta terceira ética tenta abordar esta questão, confrontando uma das partes mais feias da natureza humana: a ganância. É esta ganância que nos leva a acumular recursos muito além do que poderíamos usar – mesmo enquanto os outros lutam para prover o suficiente para si ou para suas famílias. Isso não só é errado, como é insustentável no longo prazo.

Permacultura e Socialismo

Parte dessa terceira ética significa entender que a permacultura inclui a ideia de que as necessidades básicas de todos devem ser atendidas – incentivando a justiça não apenas entre os humanos, mas também entre a humanidade e outras espécies. Mas mesmo essa interpretação está sujeita à visão de mundo de um indivíduo. Pessoas com tendências mais socialistas ou comunistas poderiam levar esta ideia a dizer que “se você fizer mais do que você precisa, você deve dar a outros – incluindo aqueles que não fizeram nada para ganhá-lo“.

Embora o altruísmo seja certamente encorajado, a história mostrou que os conceitos governantes do socialismo e do comunismo foram insustentáveis. A iteração desta ética como um dos princípios motrizes da permacultura pode explicar em parte por que a filosofia não tem sido mais amplamente abraçada – ela promove o pensamento de que, para praticar a permacultura da maneira como Mollison e cofundador David Holmgren pretendiam, eles deveriam dar todos os seus pertences e viver em uma comuna com outros permacultores.

Esta ideia foi mesmo levada um passo adiante, teorizando que qualquer um dos excedentes produzidos através do planejamento em permacultura deve ser compartilhado – incluindo o conhecimento. Em vez de aceitar pagamentos por ensinar, consultar ou escrever, essas informações devem ser distribuídas gratuitamente. É uma boa ideia, mas é difícil convencer as pessoas a colocar sua energia e recursos em um projeto onde as recompensas serão compartilhadas com pessoas que não fizeram nada para ganhá-los.

Permacultura não é socialismo[2]. Os praticantes não são obrigados a viver em uma comuna, trabalhando de graça e dando o seu excedente. Permacultura não impede você de ganhar uma vida decente – na verdade, permacultura pode trazer aos praticantes todos os tipos de benefícios, incluindo financeiros. Mas enquanto esta crença [na necessidade dependente do dinheiro] continuar a permear a sociedade dominante, será difícil para os permacultores trazerem esta ciência para as massas.

Andando em frente

Em vez disso, esta terceira ética controversa deve agir como uma luz orientadora para ajudar os indivíduos a examinarem seu uso de recursos com mais cuidado – atentos para reduzir seu consumo e enfrentar o desafio social de compartilhar não só o excedente, mas também o trabalho e a produção. Permacultura é sobre comunidade, sobre resiliência e sobre sustentabilidade.

Mais pessoas estão começando a adotar o conceito de “Retorno do Excedente” como a expressão da terceira ética[3], o que pode estar mais de acordo com o significado original desse princípio. Em vez de criar desperdício, permacultores são incentivados a devolver o excesso de volta para onde ele veio. Isso pode se aplicar em um sentido ambiental através de práticas como cortar e soltar ou permitir que o produto amadurecido para decompor e fertilizar o solo.

Mas o conceito também se aplica a outros aspectos da permacultura, incluindo seu investimento de tempo, trabalho e recursos. Retornos sobre esses investimentos, financeiros ou de outro tipo, podem ser direcionados e colocados de volta em sua prática de permacultura – garantindo sustentabilidade e resiliência.

Quando aplicadas à prática da permacultura, essas éticas devem ser usadas para orientar o tipo de planejamento estratégico que nos ajudará a trabalhar em direção a um futuro onde não nos preocupamos apenas com nós mesmos, mas também com outras populações humanas e não humanas e até com a própria Terra.


Para Saber Mais Sobre:

World Wide Permaculture e Permacultura UFSC

Facebook: https://www.facebook.com/worldwidepermaculture/ e
https://www.facebook.com/groups/Permacultura.UFSC/

Publicação original: http://worldwidepermaculture.com/controversial-third-ethic-permaculture/

Republicada também em: http://permaculturenews.org/2017/04/13/controversial-third-ethic-permaculture/

Notas do tradutor

[também entre colchetes ao longo do texto]:

[1] Assim como é comum ocorrer com todas as polêmicas que envolvem a simplificação das definições das ciências humanas. Os dois primeiros princípios éticos remetem, indiretamente, às questões ambientais e sociais, e este terceiro remeteria à sustentabilidade “econômica” real, e não àquela defendida pelo mercado através do falacioso tripé da sustentabilidade (social, ambiental e econômica), como é bem questionado por Ignacy Sachs, Carlos Walter Porto-Gonçalves e outros autores.

[2] Permacultura sem dúvida não é socialismo nem comunismo, muito menos capitalismo – já que esse se baseia na competição e num crescimento sem fim. Eu acredito que como uma lógica ambiental e social assim proposta, ela seja muito mais próxima de um cooperativismo, ou um terceiro caminho ainda mais equilibrado e que remete ao anarquismo, sempre consciente, talvez com uma certa influência de Kropotkin, com sua “Ajuda mútua”, e outros autores e que seria uma ecologia social aplicada de forma consciente a direcionar a sociedade às relações ecológicas positivas, como é o mutualismo.

[3] Eu particularmente, quando ministro as aulas referentes aos princípios sempre apresento pelo menos duas formas: Partilha Justa – que é o que está descrito nas figuras de David Holmgren e por isso utilizo desta forma – e Compartilhar excedentes, inclusive conhecimentos que é uma forma que simpatizo por considerar as palavras e linguagem mais compreensível. A expressão em inglês Fair share, apesar de literalmente significar partilha justa, as vezes me remete a outro uso não tão libertário mas mais capitalista que é o comércio justo ou mercado justo. Mas isso é apenas uma questão de interpretação minha e não seu significado real. E a expressão Retorno do excedente não sei se em português repassa tão bem o que quer dizer este princípio e que não seja dito pelo Compartilhar excedentes, mas por outro lado apresenta uma questão bem mais ambiental que é a questão do deixar o que é da natureza lá, caso não seja usado e assim abre realmente uma nova interpretação e ação pra maioria dos permacultores numa visão bem mais preservacionista que conservacionista. E será que seria esse o nosso papel? Será que precisamos tanto assim? Vale a reflexão. Isto é, mesmo com este texto explicando bem as questões ao redor deste terceiro princípio ético creio que ainda não chegaremos a um consenso.

[4] Cuidados Futuros (fonte: Delvin Solkinson. Gaiacraft Permaculture Design Core Curriculum Notes, 2017.):
Originalmente, Bill Mollison caracterizou o terceiro princípio como uma ética diferente, mas relacionada à atual: “Estabelecer Limites para População e Consumo” e “Gerar Excedentes e Reinvestir no Cuidado de Pessoas e Cuidados com a Terra”. Na virada do milênio, foi descrito como “Fair Share” (Partilha justa), resumindo a essência das articulações anteriores. A Escola Africana de Permacultura descreve brilhantemente isso como “Cuidados futuros”. Todos os seres vivos têm o mesmo valor inerente e o direito de viver uma vida saudável, incluindo as gerações vindouras. Gere uma abundância e compartilhe os recursos da Terra de forma generosa e equitativa com todas as coisas. Nossa missão é investir toda a inteligência de capital e boa vontade e trabalho para o Cuidado da Terra e o Cuidado de Pessoas.

Saneamento ecológico

Saneamento Ecológico

Por Marcelo Venturi – UFSC
Janeiro de 2017.

(original publicado em:
http://fazenda.ufsc.br/descricao-fisica/areas-didaticas-experimentais/agroecologia/permacultura/saneamento-ecologico/ )

Exemplos de sistemas alternativos para tratamentos de efluentes líquidos domiciliares ou esgotos residenciais.

Como parte da zona 1 de uma propriedade permacultural cabe solucionar os problemas tranformando-os em oportunidades, e também fazer cumprir seu papel que cada elemento de seu planejamento cumpra mais que duas funções.

Um problema comum de qualquer residência é a geração de dejetos, principalmente sólidos e líquidos, ricos em matéria orgânica que pode contaminar solos e aquíferos, mas se bem trabalhada pode servir de fonte de nutrientes para cultivos e criações, permanecendo no sistema e fechando os ciclos, como por exemplo produzindo alimentos saudáveis para nosso próprio consumo.

Neste sentido diversas técnicas podem ser aplicadas, como por exemplo:

  • Banheiros secos, que em vez de utilizar água utilizam serragem e restos vegetais para cobrir os dejetos feitos em câmaras escuras, e que geram um composto que serve de adubo para plantas. Também, dependendo da forma que são dimensionados podem receber os restos de alimentos da cozinha a serem jogados “no mesmo vaso” e cobertos com a serragem.
  • Composteiras e minhocários.
  • Lagoas de cultivos de plantas aquáticas para tratamentos de águas servidas.
  • Valas de infiltração em nível para águas não contaminadas com fezes (antigamente chamadas de águas cinzas) ou águas contaminadas com fezes ou águas com cocô (antigamente chamadas de águas negras) pré-tratadas.
  • Círculos de bananeiras, para águas não contaminadas ou contaminadas pré-tratadas. (Links relacionados com conteúdos: 1, 2, 3 )
  • Bacias de evapotranspiração ou Tanques de evapotranspiração (BET ou TET ou TEvap), para águas contaminadas com fezes (antigamente chamadas de águas negras).

Aqui apresento uma proposta de um projeto de sistema que pode ser muito útil para produzir alimentos e massa verde a ser utilizada como cobertura vegetal para cultivos e comparo o mesmo a outros sistemas convencionais para tratamentos de esgotos domiciliares e adotados atualmente no Brasil.

 

1.    INTRODUÇÃO

Este texto descreve um exemplo de atividades de instalações de sistema de tratamento e destinação de efluentes líquidos hipoteticamente a serem executadas numa edificação multifamiliar, em Florianópolis/SC.

Descrição da edificação:

Obra: Sistema de esgotos da residência multifamiliar

O projeto consiste em reforma, adequação e ampliação de um sistema de tratamentos e destinação de efluentes líquidos de uma unidade multifamiliar. Não existindo os projetos originais para este sistema para comparação. Atualmente o esgoto é destinado a um sistema de esgotos convencional com fossa e sumidouro pré-fabricados. Serão construídas as partes externas das redes novas de esgotos separando águascontaminadas com fezes ou águas com cocô (antigamente chamadas de águas negras – sépticas, cloacais) e não contaminadas (cinzas – das pias e chuveiros) e destinando estes efluentes para um sistema de tratamento e finalização novo, que poderia servir também para estudos de seu funcionamento para proposição de novas normas futuramente. Na edificação há uma varanda e duas casas principais geminadas com um banheiro em cada e cozinha e que hoje atendem rotineiramente a 10 (dez) usuários por dia (8 h diárias) e dois funcionários a noite, eventualmente a algum usuário a mais. O projeto prevê o uso de até 20 pessoas por dia que é a capacidade de espaço do prédio, mantendo essa proporção de uso diurno e noturno.

A água para consumo vem da rede da concessionária. Por hora, será usado o sistema de esgotos aqui projetado, com reformulação do tratamento através de Tanques de Evapotranspiração (para águas negras) e círculos de bananeiras (para águas cinzas). Os detalhes do projeto estão explicados nos itens a seguir.

1.1      Áreas

Tabela 1: Quadro de Áreas Utilizadas (m²)

Locais Internos

Áreas aproximadas em m²

Copa/Cozinha

~ 36,00

Quartos

~ 36,00

Varanda

~ 84,00

Banheiro 1

~ 6,00

Banheiro 2

~ 6,00

Subtotal: áreas internas

~168,00

Áreas externas

Sistema de tratamento de efluentes

~ 65,00

TOTAL

~ 233,00

A edificação tem no total 168,00 m². Considerando população total, consumo e destinação final na ampliação serão construídos, portanto, 65,00 m² referentes ao novo sistema de tratamento e finalização dos efluentes líquidos.

1.2      Relação de Desenhos

Seriam partes integrantes do Projeto de Tratamento e Destinação de Efluentes Líquidos, além deste memorial, as pranchas de desenho do projeto abaixo relacionadas:

I Folha I – Projeto básico e detalhamentos dos sistemas de tratamentos de efluentes: Tanque de Evapotranspiração e círculos de bananeiras.

2.    DIRETRIZES GERAIS DO PROJETO

Este texto visa apresentar e descrever um exemplo de Projeto de Tratamento de Efluentes Líquidos reunindo as características, informações técnicas, considerações e dimensionamentos para uma suposta realização junto a uma residência multifamiliar ou alojamento temporário.

Um projeto deve ser seguido fielmente, de acordo com as prescrições das normas técnicas aplicáveis. Quaisquer alterações que por ventura se façam necessárias, só poderão ser executadas após autorização prévia do projetista.

As plantas e especificações constituem um todo e se complementam, fazendo parte integrante do PROJETO e não estarão presentes neste texto.

2.1      Normas e portarias de referência

  • NBR 5626 – ABNT – Instalações Prediais de Águas Fria.
  • NBR 5648 – ABNT – Tubo de PVC rígido para instalações prediais de água fria.
  • NBR 7229 – ABNT – Projeto, construção e operação de tanques sépticos.
  • NBR 8160 – ABNT – Instalações Prediais de Esgoto Sanitário.
  • NBR 9649 – ABNT – Projeto de redes coletoras de esgoto sanitário.
  • NBR 9814 – ABNT – Execução de rede coletora de esgoto sanitário – Procedimento.
  • NBR 10843 – ABNT – Tubos de PVC rígido para instalações prediais de águas pluviais.
  • NBR 10844 – ABNT – Instalações Prediais de Águas Pluviais.
  • NBR 13969 – ABNT – Tanques sépticos – Unidades de tratamento complementar e disposição final dos efluentes líquidos – Projeto, construção e operação.
  • NORMAS DA CONCESSIONÁRIA E DO MUNICÍPIO.

3.    SISTEMA DE EFLUENTES LÍQUIDOS

Por se tratar de área sem previsão de ampliação da rede de esgotos da concessionária/CASAN a médio prazo, além de ser uma área rural e que pode servir de referência de tecnologias para outras, o sistema de tratamento de efluentes proposto se usará de um método que vem sendo utilizado eficientemente em propriedades rurais e locais mais afastados por ser de custo relativamente reduzido se comparado aos sistemas utilizados nas cidades e por permitir a (re)utilização de materiais alternativos e disponíveis no local. Apesar desta possibilidade, por se tratar de uma obra pública e de complexos sistemas de compras, optou-se por projetar o sistema aqui considerando apenas materiais comercialmente acessíveis.

O método principal aqui apresentado é conhecido como Tanque ou Bacia de Evapotranspiração – também conhecido como TET ou TevaP ou ainda BET – e consiste num único sistema que, se bem dimensionado, reúne as características de dimensionamento e funcionamento dos tradicionais, reconhecidos e normatizados sistemas físicos, químicos e biológicos de tratamentos de efluentes líquidos, de alta eficiência mas sem geração de efluente final líquido, portanto com redução de até 100% do volume de líquidos.

A bacia de evapotranspiração baseia-se numa câmara anaeróbica central, que faz o tratamento biológico inicial com separação de escuma e decantação de lodo, de forma semelhante a um tanque séptico (ou fossa séptica). Envolta nesta câmara há um sistema de filtração anaeróbica física e biológica através de material poroso, semelhante ao sistema de filtro anaeróbico. E sobre este hão camadas de areia e solo que complementam a filtração e servem de substrato para um sistema de zona de raízes com uso de plantas, semelhante às wetlands, escolhidas adequadamente com intenção de evapotranspirarem toda ou maior parte da água além de aproveitarem todos os nutrientes nela diluídos.

3.1      População estimada na edificação

Para determinação da população na edificação em estudo foi utilizado o Código de Obras de Florianópolis (COF) e foi feita a adequação com a população já utilitária do espaço.

De acordo com o COF é usada a seguinte quantidade de pessoas por área:

·        Uma pessoa para cada 4 m² de laboratórios e oficinas,

·        Uma pessoa para cada 15 m² de ambientes de atividades não específicas e administrativas;

·        Uma pessoa para cada 7 m² de setores sem acesso ao público (áreas de trabalho/ escritórios).

Assim, calcula-se população em torno de 16 pessoas. Apesar desta capacidade este dado não é verosímil pois há em torno de 10 usuários do espaço simultaneamente. Caso todas as pessoas frequentassem a edificação todos os dias, o que não ocorre nos finais de semana e no período noturno, o número ainda assim seria inferior ao obtido pelo cálculo baseado nas áreas. É importante frisar que o dimensionamento usando o Código de Obras de Florianópolis é restritivo, sendo considerado como a lotação máxima possível da edificação.

Considerou-se, então, população total de 20 pessoas, mas apenas 10 pessoas em uso da área simultaneamente. Ainda que haja ampliação do número de usuários futuramente, é improvável que todas essas pessoas frequentem o edifício ao mesmo tempo, e o maior consumo de águas se dará nos vasos sanitários (águas com cocô, até 10 litros por uso) e na pia da cozinha (águas cinzas, sem cocô).

3.2      Cálculo do dimensionamento de referência dos Tanques Sépticos, secundários e finalizações para comparação com o modelo proposto de Tanque de Evapotranspiração

A título de comparação farei aqui alguns dimensionamentos que não serão utilizados na prática mas servirão como referência para confrontar ao dimensionamento do tanque de evapotranspiração que virá a seguir.

Onde os dados para dimensionamento dos sistemas a seguir:

  • V = volume útil, em litros
  • N = número de pessoas ou unidades de contribuição
  • C = contribuição de despejos, em litro/pessoa x dia ou em litro/unidade x dia (ver Tabela 1) NBR 7229
  • T = período de detenção, em dias (ver Tabela 2) NBR 7229
  • K = taxa de acumulação de lodo digerido em dias, equivalente ao tempo de acumulação de lodo fresco (ver Tabela 3) NBR 7229
  • Lf = contribuição de lodo fresco, em litro/pessoa x dia ou em litro/unidade x dia (ver Tabela 1 da NBR 7229)

3.2.1 Tratamento primário – Comparação 1: Fossa Séptica para 20 pessoas com 50 litros de descarga/dia e um dia de armazenamento

V = 1000 + N(CT + KLf)

Para escola: C = 50; Lf = 0,20; T = 1,0; K = 65.

V = 1000 + 20 (50*1,0 + 65*0,2)

V = 2260 Litros

V = 2,26 m³

Como as 20 pessoas estimadas, já considerando aumento da demanda futuramente, não frequentarão o prédio em período integral e simultaneamente. Além disso ocorrerá a separação de dejetos em águas sem fezes e águas com fezes, portanto reduzindo o volume de dejetos a ser tratado desta forma, deixando o volume calculado superestimado. Mas a título de cálculo para a realidade da universidade, onde ainda não se pode contar com revisões constantes e manutenções dos sistemas de tratamentos de efluentes, apenas quando os sistemas saturam, vamos considerar o cálculo de comparação para uma acumulação por maior período com um maior reservatório para lodo conforme a seguir.

3.2.2 Tratamento primário – Comparação 2: Fossa Séptica para 10 pessoas com 50 litros de descarga/dia e um dia de armazenamento e cinco anos sem manutenção

V = 1000 + N(CT + KLf)

Portanto: C = 15; Lf = 0,20; T = 1,0; K = 225.

V = 1000 + 10 (50*1,0 + 225*0,2)

V = 1950 Litros

V = 1,95 m³

Mas, considerando-se o consumo real, apenas pelas descargas utilizadas pelos funcionários, pode-se reduzir ainda mais o dimensionamento do sistema, ainda mantendo o longo período sem manutenção, o que nos leva a proposta de comparação a seguir.

3.2.3 Tratamento primário – Comparação 3: Fossa Séptica para 10 pessoas com 15 litros de descarga/dia e um dia de armazenamento e cinco anos sem manutenção

V = 1000 + N(CT + KLf)

Portanto: C = 15; Lf = 0,20; T = 1,0; K = 225.

V = 1000 + 10 (15*1,0 + 225*0,2)

V = 1600 Litros

V = 1,6 m³

Ainda assim, o sistema de tratamento proposto neste memorial se diferencia por ter um acúmulo mais prolongado de armazenamento dentro do sistema, até todo o líquido ser evapotranspirado, além de ser dimensionado para não ter manutenção constante. Então a comparação mais fiel deve levar estes fatores em consideração, conforme na comparação a seguir.

3.2.4 Tratamento primário – Comparação 4: Fossa Séptica para 10 pessoas com 15 litros de descarga/dia e sete dias de armazenamento com manutenção a cada cinco anos

V = 1000 + N(CT + KLf)

Portanto: C = 15; Lf = 0,20; T = 7,0; K = 225.

V = 1000 + 10 (15*7 + 225*0,2)

V = 2500 Litros

V = 2,5 m³

3.2.5 Tratamento secundário – Comparação 1: Filtro Anaeróbio para 20 pessoas com 50 litros de descarga/dia e um dia de armazenamento

V = 1,6 x N x C x T

V = 1,6 x 20 x 50 x 1,0

V = 1600 Litros

V = 1,6 m³

3.2.6 Tratamento secundário – Comparação 2: Filtro Anaeróbio para 10 pessoas com 15 litros de descarga/dia e sete dias de armazenamento

V = 1,6 x N x C x T

V = 1,6 x 10 x 15 x 7,0

V = 1680 Litros

V = 1,68 m³

3.2.7 Soma dos Volumes da Fossa Séptica e do Filtro em condições semelhantes à Vala de Evapotranspiração a ser projetada

V = 1,8 + 1,68

V = 3,48 m³

3.2.8 Comparação: Disposição final em valetas de infiltração

Após passar pelo tratamento primário e tratamento complementar, o efluente seguiria para uma disposição final, que devido ao alto nível do lençol freático da fazenda, deveria ser infiltração por valas subsuperficiais a serem dimensionadas ou canteiros de infiltração e evapotranspiração, conforme NBR 13.969.

Considerando as características do solo, como um neossolo quartzarênico hidromórfico típico, rico em matéria orgânica, o que dificulta a percolação, temos uma taxa de percolação aproximada de 50 l/m².dia. Com este valor precisaríamos de a superfície de aproximadamente 10 m² apenas para infiltração (Ai = área de infiltração), considerando-se o total de águas com fezes e sem fezes de 50 litros por usuário por dia, para 10 pessoas. Se forem 20 necessitaríamos o dobro, 20 m².

Ai = 10 m².

3.3      Dimensionamento dos Sistemas de Tratamento: Vala de Evapotranspiração, Círculos de Bananeiras e se necessário for um sistema primário para águas cinzas com plantas aquáticas

Aqui segue o dimensionamento do sistema que será utilizado na presente obra:

Para águas sem fezes (cinzas, sem cloacais): Fontes geradoras (pias, chuveiros) → (caixa de gordura quando for o caso) → Caixas de passagem → Lagoa com plantas aquáticas (aguapés) → Círculos de bananeiras.

Para águas com fezes (cloacais): Fontes geradoras (vasos sanitários) → Caixas de passagem → Tanques de Evapotranspiração → Lagoa com plantas aquáticas (se houver excedentes, para o mesmo tanque das águas cinzas) → Círculos de bananeiras (se houver excedentes).

3.3.1 Tratamento primário para águas com fezes (cloacais): Tanques de Evapotranspiração

O dimensionamento deste sistema tem como referência diversos estudos, aos quais no Brasil um principal e dos mais recentes é de Galbiati, 2009.

O sistema consiste em camadas, conforme citado no início deste trabalho, por uma profundidade útil constante de um metro. Portanto a área representa também o volume da obra em m³.

Ela sugere a seguinte formulação:

A = ( N x C ) / [(ET – Kt) – (P x Ki)]

Onde:

  • A = Área útil superficial da vala, em m²
  • N = número de pessoas ou unidades de contribuição (ou n)
  • C = contribuição de despejos, em litro/pessoa x dia ou em litro/unidade x dia (ver Tabela 1) NBR 7229 (ou Qd)
  • Kt = Coeficiente do tanque (ou ktevap, =dados de acordo com a pesquisa da autora que variam de acordo com a insolação e ocorrência de ventos)
  • ET = evapotranspiração de referência média do local, em mm/dia (ou ET0)
  • P = Pluviosidade média do local, em mm/dia
  • Ki = Coeficiente de infiltração, varia de 0 a 1.

 

Considerando:

N = 10 usuários constantes

C = 15 l/pessoa.dia

Kt = 2,71

ET = 2,2 mm/dia

P = 4,5 mm/dia

Ki = 0,6

 

A = ( 10 x 15 ) / [(2,2 – 2,71) – (4,5 x 0,6)]

A = 45,98 m² <<<

O dimensionamento deste sistema também é padrão e deve ter 2 m de largura por um metro de profundidade. Portanto considerando a área de 45,98 m², deverá ter 23 m de comprimento por 2 m de largura.

Figura 1: Corte transversal de um Tanque de Evapotranspiração

Fonte: UFMS

Figura 2: Estrutura física e detalhes das camadas do Tanque de Evapotranspiração

Fonte: Emater/MG

Conforme citado e a título de comparação, um sistema como este equivale a diversos sistemas de tratamento de efluentes em um só. Por exemplo, com esta área:

3.3.1.1 Volume de tratamento anaeróbico semelhante a um tanque de fermentação ou fossa séptica

O volume de espaço “vazio” deste tanque pode ser feito alternativamente com materiais disponíveis no local como pneus velhos ou tubos de drenagem (furados) ou tubos inteiros com espaçamentos entre um e outro.

Neste exercício consideramos utilizar materiais pré-moldados em formato de meia calha para drenagem de 800 mm de diâmetro (R = 0,4 m). Serão necessários 23 m (= C) desta câmara ou “tubo”.

Vt = (π x R² x C) / 2

Vt = (3,14 x 0,4² x 23) / 2

Vt = 5,78 m³

Sendo que os dimensionamentos das fossas sépticas, segundo os cálculos das comparações nos itens acima tiveram os valores entre 1,6 m³ e 2,5 m³. Mas visto que o sistema deverá dar conta de filtrar, absorver e evapotranspirar o mais importante é a área superficial e não apenas o volume interno e o tempo de disposição.

3.3.1.2 Volume de tratamento por filtragem, equivalente ao filtro anaeróbico

Considerando que a área de filtragem, envolvente à câmara de tratamento é composta por camadas de materiais porosos, usualmente utilizados cacos de telhas e/ou britas grossas (4 ou 5) e/ou cacos de bambu seco. Esta camada ocupa do fundo do tanque até o meio deste, sendo coberta por bidim.

Portanto a área de filtragem se equivale ao produto do comprimento pela largura e pela profundidade de 50 cm, reduzida a área do tanque anaeróbico:

Vf = (C x L x h) – Vt

Vf = (23 x 2 x 0,5) – 5,78

Vf = 17,22 m³

Sendo que os dimensionamentos dos filtros anaeróbicos, segundo os cálculos das comparações nos itens acima tiveram os valores entre 1,6 m³ e 1,68 m³.

3.3.1.3 Área de evapotranspiração, equivalente à área de disposição final ou valas de infiltração

A área de evapotranspiração é a superfície do Tanque que deverá sempre estar coberta por plantas, as mais diversas com priorização para bananeiras (Musa sp.) devido às suas características de:

  • Alta capacidade de absorver água e nutrientes e alto coeficiente de perda de água por evapotranspiração;
  • Necessidade nutricional das bananeiras é muito parecida com a composição química dos lodos de esgotos cloacais. Assim garantindo que os nutrientes que serão absorvidos pelas raízes destas plantas serão melhor aproveitados do que se utilizar apenas outras espécies, conforme SBSC, 2004 e Bettiol e Camargo, 2006.
  • Lodos de esgotos contem em média 30 a 80% de matéria orgânica, 5,6 mg/l de Fósforo (P), 13,15 mg/l de potássio (K), 7,72 mg/l de cálcio (Ca), 3,16 mg/l de magnésio (Mg), 33,14 mg/l de enxofre (S), 52 mg/l de sódio (Na) (dados de Silva Cuba e outros, 2015), portanto relação NPK de aproximadamente 2-1-3, enquanto a adubação de manutenção teria em média a relação NPK de 3-2-5 (conforme SBSC, 2004), isto é, muito parecidas a produção pelo esgoto e a demanda pelas plantas.

Outras espécies que podem ser utilizadas em conjunto com as bananeiras são as plantas adaptadas a solos úmidos e de preferência com grande área foliar, por exemplo: ornamentais como copo-de-leite (Zantedeschia aethiopica); maria-sem-vergonha (Impatiens walleriana); lirio-do-brejo (Hedychium coronarium); caeté-banana (Heliconia spp.), papiro (Cyperus giganteus), beri (diversas espécies do gênero Canna) e junco (Zizanopsis bonariensis). Este já é usado e recomendado em sistemas de tratamentos de efluentes por zonas de raízes (ou wetlands). Ou plantas com partes aéreas comestíveis (PANC) assim como taboa (Thypha sp.), taioba (Xanthosoma sagittifolium), inhame (Colocasia esculenta) dentre outras. Essa diversidade de espécies complementam os espaços não ocupados pelas bananeiras e garantirão um aproveitamento de raízes em outros nichos, absorvendo portanto mais águas e nutrientes. Além disso a diversidade de espécies enriquece a microflora do solo garantindo uma melhor eficácia de tratamento biológico e a sobrevivência e continuação do funcionamento do sistema em casos de eventuais crises.

Assim sendo e concluindo esta fase de dimensionamento deste sistema, conforme citado nos capítulos acima, a área de evapotranspiração deste sistema será de aproximadamente 46 m³, maior que os dimensionamentos da disposição final por valetas de infiltração, segundo os cálculos das comparações nos itens anteriores tiveram os valores entre 10 m³ e 20 m³.

3.3.2 Tratamento primário para águas cinzas: Lagoas de plantas aquáticas (aguapés) – opcional

As águas cinzas são resíduos líquidos, também ricos em nutrientes mas que não possuem contaminação biológica por fezes e portanto, sem risco sanitário de disseminação, podendo ser utilizadas diretamente para irrigação de plantas. Possuem características de composição rica em nitratos e fosfatos derivados de saponáceos, detergentes, restos de alimentos das pias e urina proveniente de mictórios e chuveiros. Quando oxidados se tornam ótimas fontes de nutrientes para plantas. Porém águas cinzas, se expostas à insolação, podem emitir cheiro, o que requer cuidados especiais na sua disposição. Conforme citado anteriormente as bananeiras são um exemplo de espécie com ótimo aproveitamento desses resíduos como finalização.

Entretanto se houver o desejo ou necessidade de um tratamento prévio exclusivo para as águas cinzas uma alternativa viável e de fácil construção é um sistema de lagoas com plantas aquáticas (ou aguapés).

Conforme a NBR 13969o sistema de lagoa com plantas aquáticas devem ser dimensionados com os seguintes parâmetros:

a) taxa de aplicação hidráulica superficial, devendo ser adotado o valor limite de 600 m³/(ha.dia);

b) a profundidade máxima da lâmina líquida deve ser limitada entre 0,7 m e 1,0 m, com altura sobres-salente de 0,30 m;

c) a relação comprimento/largura da lagoa deve ser superior a 10, sendo que a largura deve estar limitada a 10 m;

d) quando a relação acima não for possível, devido a problemas topográficos ou do formato de terreno, recomenda-se dividir a lagoa em unidades múltiplas em série;

e) as lagoas com plantas aquáticas devem conter telas/anteparos suspensos facilmente removíveis, compartimentando a superfície da lagoa, de modo a permitir um crescimento uniforme das plantas em toda a sua área, mantendo-se a distância entre os anteparos inferior a 10 m.

É um sistema que necessita retirada constante das plantas em excesso, que podem ser aproveitadas para alimentação animal, biomassa para cobertura e adubação do solo. O acesso ao sistema para a retirada das plantas deve ser previsto na locação. Como as plantas crescem muito se houver temperatura média acima de 15 graus celcius, elas deixam pouco espaço para o contato da água servida com a insolação, o que reduzirá o problema de cheiro.

3.3.2.1 Dimensionamento do sistema de tratamento com plantas aquáticas

Para este sistema será considerada a permanência da água usada no sistema por um período de dois dias. Considerando a profundidade útil de 0,7 m, sendo que o comprimento deverá ser 10x a largura, e o volume de 35 litros por usuário por dia, para 20 funcionários:

V = 35 litros x 20 funcionários x 2 dias

V = 700 litros x 2 dias

V = 1400 litros = 1,4m³.

Dimensionamento:

V = C x L x H

sendo que C >= 10xL

portanto propõe-se

V = 4,5m x 0,45m x 0,7m = 1,41m³

sendo as dimensões internas úteis:

Comprimento – C = 4,5m

Largura – L = 0,45 m

Profundidade – H = 0,7 m

3.3.3 Disposição final em círculos de bananeira

Os círculos de bananeira não recebem águas contaminadas com fezes ou águas cloacais, com cocô (antigamente chamadas de águas negras), apenas em último caso após tratamentos primários e secundários. Esta disposição final apresenta diversas vantagens em relação aos sumidouros típicos e valas de infiltração por não infiltrar toda a água com nutrientes no solo sob risco de poluir aquíferos e lençóis. Parte deste líquido passa a ser absorvido pelas plantas e evapotranspirado, reduzindo significativamente o risco de poluição.

Outro ponto positivo é a facilidade de disponibilidade de mudas de bananeiras, além da consequente produção de frutos, principalmente para as áreas rurais.

Nos círculos de bananeiras, em solos arenosos é possível colocar uma impermeabilização em parte do fundo, na parte côncava da perfuração. Isto pode ser através de um pedaço de lona ou argila compactada ou ambos e nestes casos deve atingir a lateral do buraco até aproximadamente 30 cm abaixo da superfície.

O dimensionamento parte do mesmo cálculo utilizado nas valas de infiltração e sumidouros reduzida a taxa de evapotranspiração pelas plantas. Ou seja, para o volume deste projeto seria de 10 a 20 m² (águas sem fezes + com fezes cloacais), menos o coeficiente da taxa de evapotranspiração para o local, que no caso é de 2,2 multiplicado pela área de folhas a ser desenvolvida. Esta área folhar se considera equivalente a área de infiltração. Então se considera que cada vala de círculo de bananeira terá um m², cercado de bananeiras (pelo menos 5 por vala).

Portanto:

A = Ai / ET

Onde:

A = Área total ocupada por círculos de bananeiras, em m²

Ai = área de infiltração de referência, em m²

ET = evapotranspiração de referência média do local, em mm.d-1

A = 10 / 2,2

A = 4,54 m²,
Ou seja, 4 círculos de bananeiras.

3.4      Instalação Sanitária

A coleta dos efluentes sanitários será feita por ramal de descarga individual, que de um modo geral escoará nas Caixas de Passagem (C.P.) formando a rede horizontal tendo como destino o tratamento já citado.

Todas as tubulações de esgoto devem ser devidamente ventiladas na parte externa da edificação. As tubulações de ventilações (TV) serão prolongadas até acima do telhado.

Os ramais de descarga, ventilação e subcoletores serão em PVC, classe 8, série normal, com traçado e dimensionamento conforme projeto padrão.

As caixas de passagem serão de alvenaria de tijolos maciços ou pré-fabricadas. Terão seção retangular e profundidade conforme declividade de 3 a 5% em relação a origem. Serão rebocadas internamente com argamassa de cimento e areia (1:3), com adição de aditivo impermeabilizante tipo Sika 1 ou similar. O fundo das caixas deverá ser moldado com canaletas para direcionar o escoamento no sentido da saída, evitando a formação de depósitos. As tampas deverão ser de concreto, cegas, com marco e contramarco em chapa metálica. As tampas deverão ser de fácil remoção e garantir perfeita vedação.

Cabe novamente ressaltar que este é um projeto de reforma e ampliação, logo, algumas das caixas usadas em projeto serão reaproveitadas, bem como os tubos dos banheiros.

Os novos sistemas aqui descritos deverão obedecer rigorosamente ao projeto e ao determinado na NBR 8160 e NBR 9649 da ABNT.

4.    INFORMAÇÕES GERAIS PARA EXECUÇÃO

4.1 Sistemas de tratamento

A – Orientação solar:

Como a evapotranspiração das plantas depende em grande parte da incidência solar, o Tanque de Evapotranspiração assim como os círculos de bananeiras devem ser orientados para a maior insolação (o norte no hemisfério sul) e sem obstáculos, como árvores altas próximas ao tanque, para evitar sombra e para permitir ventilação. Preferencialmente deve ser instalado no sentido leste-oeste em relação ao comprimento.

B – Tanque – parte estrutural:

Pode-se construir o tanque de diversas maneiras, mas visando a economia um método indicado de construção das paredes e do fundo é através de ferrocimento. Isso permite que as paredes fiquem mais leves, levando menor quantidade de material. O ferrocimento é uma técnica de construção com grade de ferro e tela de “viveiro” – diâmetro < ou = 15 mm – cobertas com argamassa. A argamassa da parede deve ser de duas partes de areia (lavada média) por uma parte de cimento e a argamassa do piso deve ser de três partes de areia (lavada) por uma parte de cimento, com espessura de pelo menos 2 cm. Pode-se usar uma camada de concreto sob (embaixo) o piso, caso o solo não seja muito firme.

Outra forma recomendada para solos menos estáveis é a construção com blocos pré-fabricados.

D – Câmara anaeróbica:

Depois de pronto o tanque e assegurada a sua impermeabilização, deve ser feita a construção da câmara através do uso de tubulação (ou meia-calha ou pneus usados por exemplo) e do material poroso para envolvimento da mesma, que pode ser de peças cerâmicas usadas – telhas, tijolos ou entulho de obra, pedras e ou pedaços de bambu seco. A câmara é composta enfim pelo duto (“ tubo” de pneus ou outro material) e de materiais porosos, colocados em volta até a altura superior do duto, formando a câmara. Isto cria um ambiente com espaço livre para a água e beneficia a proliferação de bactérias que quebrarão os sólidos em moléculas de nutrientes.

E – Tubo de inspeção e camadas porosas de materiais

Deve-se afixar o tubo de inspeção (100 mm de diâmetro), penetrando a câmara (de pneus ou tubos). Recomenda-se utilizar o prolongamento do tubo de entrada, que acoplado de um “T” na extremidade lançará um ramal com esgoto para baixo e um tubo para “visita” para cima, ficando a extremidade deste acima da superfície, fechada com uma tampa (cap) perfurada no meio com abertura de até 5 mm para entrada de ar e saída de pressão do sistema.

Acima da camada de materiais porosos da câmara anaeróbica são colocadas também as camadas seguintes: manta de bidim, acima uma de brita grossa (espessura 10 cm) ou outro material poroso de tamanho semelhante (por exemplo telhas cerâmicas quebradas neste tamanho, ou pedras de carvão vegetal ou mineral), brita fina (10 cm), areia grossa ( 10 cm) e solo (restante superficial) até o limite superior do tanque de forma abaulada para facilitar o escoamento superficial de água da chuva. Procura-se utilizar um solo rico em matéria orgânica e de aspecto mais arenoso que argiloso.

F – Proteção e tubo de extravasamento

Como o tanque não tem tampa, para evitar o alagamento pela chuva, a superfície do solo do tanque deve ser abaulada, mais alta no centro, acima do nível da borda, coberto com palhas; todas as folhas que caem das plantas e as aparas de gramas e podas são colocadas sobre o tanque para formar um colchão por onde a água da chuva escorre parra fora do sistema.

Para evitar o escoamento superficial da água da chuva para dentro do sistema, é aberta uma vala externa ao redor do tanque, com 25 cm de largura e 15 cm de profundidade ou e colocada uma borda (cerca de 10 cm de altura acima do nível superficial do solo) de tijolos ou blocos de concreto ao redor do tanque, para que esta fique mais alta que o nível do terreno; impedindo que a água proveniente do terreno escorra para o interior do tanque.

O tubo ladrão deve ser posicionado próximo às bordas das extremidades e de paarte de um dos lados a 10 cm abaixo da superfície do solo superficial do tanque.

G – Plantio

Algumas espécies recomendadas para introdução no Tanque de Evapotranspiração são:em conjunto com as bananeiras são as plantas adaptadas a solos úmidos e de preferência com grande área foliar, por exemplo: ornamentais como copo-de-leite (Zantedeschia aethiopica); maria-sem-vergonha (Impatiens walleriana); lirio-do-brejo (Hedychium coronarium); caeté-banana (Heliconia spp.), papiro (Cyperus giganteus), beri (diversas espécies do gênero Canna) e junco (Zizanopsis bonariensis). E também plantas com partes aéreas comestíveis assim como taboa (Thypha sp.), taioba (Xanthosoma sagittifolium), inhame (Colocasia esculenta) dentre outras. Essa diversidade de espécies complementam os espaços não ocupados pelas bananeiras e garantirão um aproveitamento de raízes em outros nichos e profundidades, absorvendo portanto mais águas e nutrientes. Além disso a diversidade de espécies enriquece a microflora do solo garantindo uma melhor eficácia de tratamento biológico e a sobrevivência e continuação do funcionamento do sistema em casos de eventuais crises.

H – Disposição de deflúvio

O tubo de drenagem, de 50 mm de diâmetro instalado a 10 cm abaixo da superfície junto ás bordas das extremidades do tanque, será conectado a um canteiro de infiltração e de evapotranspiração ou a uma vala de infiltração (conforme NBR 13969/1997) ou a outro sistema secundário como o tanque de plantas aquáticas (aguapés) e/ou nos círculos de bananeiras para disposição final do efluente extravasado.

4.2 Tubulações

–       Serão tomados especiais cuidados durante a instalação dos tubos e conexões, de modo a evitar a entrada de corpos estranhos nos mesmos.

–       As canalizações de água potável não deverão passar dentro de fossas, poços absorventes, poços de visita, caixas de inspeção ou valas, que não sejam exclusivas para tubulações de água potável.

–       As tubulações enterradas deverão ser envoltas em areia grossa e ter proteção contra eventuais perfurações (cortes) ou recalques concentrados. No fundo das valas onde serão enterradas as tubulações deverá ser executado um colchão de areia compactada com 10 cm de espessura.

–       Após a montagem e assentamento dos tubos, as valas serão preenchidas e compactadas,  manualmente, em camadas de 10cm, até 20cm acima da geratriz superior dos tubos. O restante do reaterro deverá ser executado de maneira que resulte em densidade, aproximadamente igual a do terreno natural.

–       As tubulações embutidas serão fixadas pelo enchimento total do vazio restante dos rasgos com argamassa de cimento e areia, traço 1:5.

–       Nenhuma das tubulações poderá ficar solidária à estrutura; para tanto, as devidas passagens nas lajes deverão ter diâmetros maiores que os das tubulações, para que fique assegurada a possibilidade de dilatação e contração.

–       As tubulações deverão ser cuidadosamente executadas, de modo a evitar a penetração de material no interior dos tubos, não se deixando saliências ou rebarbas que facilitem futuras obstruções.

–       Nas instalações aparentes os tubos devem ser fixados com braçadeiras de superfície interna lisa e larga, ou com fita metálica apropriada. Na horizontal afastamento respeitará 10φ ou 50 cm (o que for maior) e na vertical um suporte a cada 2,00 m. Quando as tubulações estiverem próximas à laje usa-se bucha, parafusos e fita tipo Valsiva, seguindo a declividade dos tubos.

–       Onde necessário a tubulação deverá ser pendurada através de suportes metálicos. Serão executados com braçadeiras metálicas galvanizadas, penduradas à estrutura através de barras roscadas de 6 mm e fixadas através de dois finca pinos ou conexão de pressão tipo Parabolt ou equivalente com diâmetro de 6 mm.

–       As canalizações empregadas deverão resistir à pressão de no mínimo 50% acima da pressão máxima de trabalho do sistema.

–       As conexões, registros, válvulas e demais peças serão empregadas de modo a não prejudicar o integral aproveitamento das canalizações e possuirão resistência igual ou superior à exigida para os tubos.

5.    TESTES E VERIFICAÇÕES

5.1      Teste de Estanqueidade em Tubulações de Esgoto

De acordo com a norma técnica da ABNT NBR 9814: 1987, as tubulações de água fria devem estar de acordo com o ensaio de estanqueidade previsto no item 5.12 da mesma:

5.12.1 Assentada a tubulação e completado o envolvimento lateral, antes porém do reenchimento da vala, deve ser providenciado o ensaio de estanqueidade das juntas, mediante teste hidrostático.

5.12.2 As verificações de estanqueidade devem ser feitas de preferência entre dois poços de visita consecutivos.

5.12.3 Os testes são executados com água após o fechamento da extremidade de jusante do trecho e as derivações ou extremidades dos ramais de ligação dos prédios. Enche-se o coletor através do PV de montante, procurando-se eliminar todo o ar da tubulação e elevar a água até a borda superior do PV.

5.12.4 Apesar de não desejável, entretanto a exclusivo critério de Fiscalização, o teste hidrostático pode ser substituído por prova de fumaça, devendo, nesse caso, as juntas estarem totalmente descobertas.

6.    DISPOSIÇÕES FINAIS

6.1      Conforme construído (as built)

Ao final da obra, antes da sua entrega provisória, a CONTRATADA deverá apresentar o respectivo “as built“, sendo que a sua elaboração deverá obedecer ao seguinte roteiro:

1.      Expressar todas as modificações, acréscimos ou reduções ocorridas durante a construção pelo DFO, cujos procedimentos tenham sido de acordo com o previsto pelas disposições deste Memorial;

2.      Representar sobre as plantas dos diversos projetos, denotando como os serviços resultaram após a sua execução, sendo que as retificações dos projetos deverão ser feitas sobre cópias dos originais, devendo constar, acima do selo de cada prancha, a alteração e respectiva data;

3.      Elaborar caderno contendo as retificações e complementações das Especificações Técnicas do presente caderno, compatibilizando-as com as alterações introduzidas nas plantas.

 

7.    REFERÊNCIAS

 

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 7229 – Projeto, construção e operação de tanques sépticos. 1993.

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13969 – Tanques sépticos – Unidades de tratamento complementar e disposição final dos efluentes líquidos – Projeto, construção e operação. Setembro de 1997.

Bettiol, Wagner; Camargo, Otavio Antonio de. Lodo de esgoto: impactos ambientais na agricultura. Embrapa Meio Ambiente, Jaguariúna, 349p. 2006.

EMATER/MG. Tanque de evapotranspiração para tratamento de efluentes do vaso sanitário domiciliar. Acessado em 10/9/2016. Disponível em http://www.emater.mg.gov.br/doc/intranet/upload/DETEC_Ambientaltvap_com_defluvio.pdf .

Pamplona, Sérgio; Venturi, Marcelo. (2004) Esgoto à flor da terra. Permacultura Brasil – Soluções ecológicas. n.16. 2004.

Paulo, Paula Loureiro; Bernardes, Fernando Silva. Estudo de taque de evapotranspiração para o tratamento domiciliar de águas negras. Fundação Universidade Federal do Mato Grosso do Sul – UFMT. Acessado em 15/9/2016. Disponível em: http://sustentavelnapratica.net/arquivos/estudo_fossa_evapotrasnpiracao.pdf . Acessado em 15/9/2016.

Silva Cuba, Renata da; do Carmo, João Rios; Souza, Claudinei Fonseca; Bastos; Reinaldo Gaspar. Potencial de efluente de esgoto doméstico tratado como fonte de água e nutrientes no cultivo hidropônico de alface / Potential of domestic sewage effluent treated as a source of water and nutrients in hydroponic lettuce. Revista Ambiente & Água, v. 10, n. 3, p. 574, 2015.

Galbiati, Adriana Farina. Tratamento domiciliar de águas negras através de tanque de evapotranspiração. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Centro de Ciências Exatas e Tecnologia – Campo Grande, MS, 2009.

Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS); Comissão de Química e Fertilidade do Solo. Manual de adubação e de calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 10. ed. – Porto Alegre, 400 p. 2004.


Outros links relacionados:

  1. Aula de águas (vídeo bruto) de um curso de permacultura (PDC) sobre Bacia de evapotranspiração:

2.

 

Gírias novas

A cada ano vemos ou ouvimos uma série de gírias, calão ou palavras, formas de expressar que antes não existiam ou eram usadas de forma distinta. Neologismos.

neologismo

substantivo masculino

LING
  1. 1.
    emprego de palavras novas, derivadas ou formadas de outras já existentes, na mesma língua ou não.
  2. 2.
    atribuição de novos sentidos a palavras já existentes na língua.
  3. 3.
    unidade léxica criada por esses processos.
Origem
⊙ ETIM neologia + -ismo

 

Após certa idade a gente acaba perdendo a referência de desde quando passamos a usar tal forma de expressão. Então neste instante resolvi começar a registar alguns que fui aprendendo ao longo dos últimos anos, resultando, quem sabe, num dicionário de neologismos da língua portuguesa brasileira.

Por questão de ordem, colocarei organizados primeiramente por anos, em seguida por ordem alfabética, seguidos dos possíveis significados.

Quem quiser encontrar por uma expressão específica, clique em procurar em seu navegador (ou Ctrl+F).

Quem quiser contribuir, me escreve que eu coloco aqui.

2017

nave – diversos significados de acordo com o contexto.

2016

brusinha – blusinha. Algumas expressões passaram a ser pronunciadas substituindo o L pelo R, acredito que com caráter de rustificação propositalmente, como se fosse falado por alguém que fala errado.

catioro – cachorro, cão, pronunciado como se fosse italianado “caccioro“.

flopar – deixar no vácuo, deixar sem resposta. Uma postagem que ninguém comenta, flopa. Contrário de flodar.

lacrar, lacrou, dar aquele lacre – dar um argumento muito bom ou definitivo, que teoricamente encerra uma discussão.

passar resenha – ficar com alguém, pegar, dar uns beijos e amassos.

 

2015

crush – da palavra igual em inglês, e com mesmo significado de “namoro” ou “paixão súbita”. Neste caso usado muito como referência para alguém que se está ficando e que se conheceu pela internet ou aplicativos de encontro ou apenas alguém que se está interessado, a fim. Crushar/ter um crush – atração por alguém que pode ser tão breve quanto uma troca de olhares ou durar uma vida toda.

flodar – encher de respostas ou não deixar outras pessoas responderem. Quando se publica muitas coisas em seguida uma da outra. (sem certeza do ano)

miga – amiga.

migue – amigo ou amiga, em um uso neutro da linguagem de gênero.

olar – “olá”.

2014

nudes – originalmente esta palavra significa um tom de cores. Nesta época passou a ser usado também como nú, de nudez. Usado para solicitar que as pessoas enviassem ou publicassem fotos nuas, peladas. (dúvida do ano)

tombar – causar, chamar a atenção através de uma ação (trazida por Carol Conka).

2013

estalquear – do inglês stalker, perseguidor. Usado na internet para se referir ao ato de ficar fuçando no perfil de alguém em busca de informações, ou de forma pior e literal, ficar no pé, comentar em todas as postagens de uma pessoa durante muito tempo, etc.

2012

shipar – torcer pela relação de alguém. Do inglês shipping.

selfie, selfismo – ato de se autofotografar. Ato de enaltecer o próprio ego fazendo biquinhos, caras e bocas nas fotos.(sem certeza do ano)

2011

miguxes, miguxos – amigos (sem certeza do ano)

2010

 

2008

_íneo – Sufixo “íneo” substituindo o sufixo “inho” com a intenção de deixar “fofíneo” (fofinho). Ex.: gatíneo (gatinho), cavalíneo (cavalinho), tadíneo (tadinho), etc.

kibar ou quibar – roubar ideias sem citar a fonte.

1999

fora da casinha – pessoa sem noção, que faz comentários sem sentido (sem certeza no ano).

1996

migué – “dar um migué”, enrolar, enganar, dizer que vai fazer algo e não fazer.

Links relacionados:

  1. Onde comentar e fazer sugestões de novos neologismos (sempre citando a explicação e o ano em que surgiu):

https://www.facebook.com/marceloventuri/posts/10154469136837732?comment_id=10154469181037732&notif_t=feed_comment&notif_id=1483540252190374

e em

https://www.facebook.com/marceloventuri/activity/10154469126572732?comment_id=10154469537702732&ref=notif&notif_t=open_graph_action_comment&notif_id=1483552158720191

2. Deixando o X e a @ pra trás na linguagem neutra de gênero – http://partidopirata.org/deixando-o-x-para-tras-na-linguagem-neutra-de-genero-por-juno/.

3. Grupo de gírias idosas, no facebook – https://www.facebook.com/giriasidosas/.

4. Por gostamos tanto de usar gírias. https://www.nexojornal.com.br/podcast/2017/09/24/Por-que-gostamos-tanto-de-usar-g%C3%ADrias

 

TRANSFORME PROBLEMAS EM OPORTUNIDADES.

Esse é um dos princípios da permacultura, do Bill Mollison no seu Designer’s manual.

Baseado nisso, e numa aula do Arno, passei a buscar informações sobre uma praga que invade muito minha casa e a de minha família: CARACOL-AFRICANO, ou caramujo-africano – Achatina fulica.

Descobri que o bicho é uma lenda urbana atual e é um ótimo alimento. Então por que não pegar esse animal que virou uma praga e usar para alimentar meus bichos (já que eu não como carne e animais) e economizar um tantinho em ração?
Fica a dica. #fkdk

E quem quiser comer também: o link abaixo dele ensina os cuidados a serem tomados para você ou para seus animais desde a captura, abate e preparo.

ALTERNATIVA NA FORMA DE ABATE:

Uma mudança para esse roteiro que eu proponho, seria na forma de abate. Acredito que é muito menos cruel para abater animais de sangue frio, é o uso de congelador. Depois de todo o processo de “quarentena” quando o animal é limpo, a forma de abate ideal ao meu ver, coloque os animais na geladeira ou numa bacia com água e gelo, isso irá diminuir o seu metabolismo de forma que eles “adormecem” e deixam de sentir. Em seguida coloque num congelador onde morrerão congelados, por umas 48 horas antes de iniciar os processos de calor. Imagine como é para um animal de sangue frio morrer no calor, quando seu metabolismo está super ativado. Por isso minha proposta de alteração.

HISTÓRIA E MOTIVOS:

O caramujo-africano é comestível e foi introduzido no Brasil para ser consumido feito escargot mas como aqui não tinha mercado para este produto ele foi descartado sem controle na natureza e virou praga. Ele, naturalmente, não transmite doenças a não ser que elas estejam no ambiente por onde ele passa e depois você entre em contato com ele, portanto ele é um vetor. Assim como cães e gatos também são vetores de doenças e nem por isso saímos matando eles. Ele se propaga muito facilmente, se tornando praga e causando desequilíbrio ecológico, este é o seu principal problema. Além disso ele é confundido com espécies nativas que estão sendo dizimadas por competição de nicho e pela caça ignorante que deveria ser exclusiva desta espécie. O mesmo poderia ser feito com outras espécies exóticas que causam desequilíbrio, como saguis no sul do Brasil e tantos outros.

RISCOS E CUIDADOS:

As doenças transmitidas por eles são principalmente: meningite, esquistossomose e angiostrongilose. A meningite que é transmissível pelo muco, e acontece apenas se houver algum animal (incluindo humano) com a doença por perto. A esquistossomose só ocorre em locais com problemas de higiene e saneamento e se houver o parasita Schistosoma no meio. E as diferentes angiostrongiloses podem ocorrer apenas por ingestão do animal sem os devidos cuidados.

Portanto PARA EVITAR QUALQUER RISCO durante a captura e os manejos até o momento do preparo é essencial o uso de luva ou sacolas plásticas envolvendo as mãos. Mas após a quarentena e o cozimento em altas temperaturas pelo tempo recomendado no vídeo acima NÃO HÁ MAIS RISCOS de contaminação, e pode ser consumido.
RESUMIDAMENTE:
  1. captura e manejos com cuidados (luvas ou sacolas protegendo as mãos) e lavagem prévia com água corrente e sabão.
  2. “quarentena” de 7 dias sem comida, trocando a água e sendo lavados diariamente com escovinha, água e sabão.
  3. abate através de congelador por pelo menos dois dias – 48h.
  4. pré-cozimento com casca até ferver e subir uma gosma. Trocar a água e repetir.
  5. retirar das cascas com ajuda de um garfo, enquanto ainda estiverem quentes.
  6. cozinhar em panela de pressão por pelo menos 20 minutos (após o início da pressão).
  7. refogar com azeite e temperos a sua vontade. Para consumo de animais carnívoros pode ser apenas refogado em óleo, sem uso de alho e cebola. Também pode ser picado e moído. Sabor lembra de moluscos outros como ostras.

FONTES – LINKS E MATERIAIS COMPLEMENTARES

Abaixo seguem alguns materiais ratificando o que falo acima, muito importante e interessante que vejam todos, vale a pena:

meus perfis na net

Havia um tempo em que não havia internet. Ninguém tinha perfil em lugar nenhum. Aí surgiram os fotologs, depois os blogs, e depois o orkut, MySpace e assim por diante… Eu sou dos primórdios de tudo isso. Fiz minha primeira página em html à mão, código por código testando atualizando no netscape. Depois tive tudo que é perfil e página em todos os lugares. Então finalmente surgiu um site que concentrava todos os serviços num mesmo lugar, mas ele recentemente fechou, e nem consigo lembrar onde eu tinha perfil nas tantas redes sociais. Era o http://www.meadiciona.com/ventomar mas agora restou o https://about.me/marceloventuri/ que é mais simples mas tem uma função semelhante.

Eis que lembrei que tenho uma página. Não lembro minhas redes mas a medida que for lembrando, bora colocar aqui.

Algumas são sérias, outras são bagaceiras. Uma e outra eu me aprofundei na criação do perfil e descrição, várias eu criei a conta e nunca mais voltei. Então segue a lista. As primeiras são as que mais uso e acesso. As últimas as mais bagaceiras, apenas para alimentar meu vício de redes sociais e preencher fichas.

LATTES

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familiaridade

askfm

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pensador uol

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flickr_logo

Fire Ball Church

Inspirados pelo programa Pequenas Igrejas Grandes Negócios – PIGN, que tem apoio do SEBRAI (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Igrejas), criamos a mais nova Igreja Bola de Fogo!

Assim como outras igrejas de sucesso que iniciaram suas rendas com apoio deste programa (PIGN e SEBRAI), prevemos muito sucesso para este nosso novo empreendimento. Outras igrejas que iniciaram da mesma forma: IURD (já se tornou grande com centenas de franquias), Pentecostal, Assembléia de Deus (já se tornou grande), do Nazareno, Snow ball, entre outras. O grande diferencial da Fire Ball Church está no fato de que não somos fria! Nossa fé tem como Deusa babilônica Tiamat (Aleluia), e como símbolo a estrela de fogo de 5 pontas (referenciando as cinco cabeças da Deusa Tiamat – Aleluia!). Nenhum outro Deus é tão poderoso e onipresente. Pois só Tiamat está presente em todos os elementos e meios de nosso mundo.

O significado dos poderes de Tiamat

 

  • A cabeça branca lança raios congelantes (snow ball);
  • A cabeça verde lança uma nuvem de gás venenoso;
  • A cabeça vermelha (a central, e única capaz de falar) lança bolas de fogo;
  • A cabeça azul lança energia em forma de raios;
  • A cabeça preta lança ácido.

 

O Culto

Existem diversos tipos de cultos de acordo com a escolha do cliente ops do fiel:

  1. Cultos brancos – do gelo (lembram da Snow ball church): várias pessoas cantando e dançando loucamente dentro de um ar condicionado gelado, maioria jovens empolgados e carentes que precisam por um rumo em sua vida, encontram o rumo do dragão branco.
  2. Cultos verdes – com vários incensos e repleto de pessoas naturebas que não tomam banho, estes cultos lembram woodstock.
  3. Cultos vermelhos – o principal e central de nossa igreja, é o culto do fogo. Neste os fieis atravessam brasas para se libertarem de seus pecados. Mesmo sendo preticante dos demais ao menos uma vez na vida tem que pasar por este.
  4. Cultos azuis – são os momentos mais eletrizantes. Acontecem preferencialmente em dias com relâmpados, onde os fieis correm de braços levantados orando em campos abertos. Lembra muito os cultos ao deus Thor.
  5. Cultos pretos – são secretos e apenas para iniciados.

 

LINKS – LEIA TAMBÉM:

Páginas interessantes sobre o assunto, com outras opiniões. Leituras complementares. (Os links a seguir não necessariamente representam a opinião deste autor, alguns inclusive contradizem. Tem, portanto, função de enriquecer a discussão e fazer você desenvolver sua própria opinião).

  1. https://t.co/HXjHPEBp4o – ‘Nunca vote em um religioso‘, afirma Padre Marcelo Rossi, 2014.
  2. http://www.gospelatualidades.com/2012/07/deputados-evangelicos-querem-proibir.html – Por falta de conteúdos importantes a serem propostos: Deputados evangélicos querem proibir solteiros nos motéis.
  3. http://www.sensacionalista.com.br/2014/10/30/bancada-evangelica-quer-criminalizar-o-iphone/ – Notícia não necessariamente real, devido a fonte, mas é a cara deles = Por falta de conteúdos importantes a serem propostos: Bancada evangélica quer criminalizar o iPhone.
  4. http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/01/1221000-igrejas-arrecadam-r-20-bilhoes-no-brasil-em-um-ano.shtml – Igrejas arrecadam R$ 20 bilhões no Brasil em um ano.
  5. https://catracalivre.com.br/geral/gentileza-urbana/indicacao/pastor-usa-dizimo-para-construir-casas-para-quem-nao-tem-moradia/ – Pastor usa dízimo para construir casas para quem não tem moradia.