… e algumas servem para qualquer lugar.

A pedidos do amigão Henrique e outros que querem fazer um tour pela Zoropa, resolvi listar coisas que valem a pena pensar antes de planejar uma viagem desse tipo e durante:

  1. Passagens e época do ano
    1.1 É famosa a dica de comprar passagens fora da temporada turística, que costuma ser  no verão do lugar onde se está indo. Por isso planejamos nossa viagem à Europa para o fim do inverno deles (que é de novembro a fevereiro), em fevereiro. A desvantagem de ir nesta época é o frio, mas para quem nunca conviveu com neve pode ser uma boa experiência desde que se precaveja (veja a seguir).
    1.2 Sempre planeje com antecedência para também poder comprar as passagens o quanto antes. As empresas tem lotes de passagens e a medida que vão se aproximando a data da viagem só restam as passagens mais caras e os piores lugares nos aviões. Portanto se planeje cedo para poder comprar o quanto antes.
    1.3 Contrate um bom agente de viagens, algum que seja realmente confiável. Para minha viagem eu contactei diversas agências, apenas 3 me enviaram orçamentos com o que foi solicitado, e a única que respondeu todos meus contatos foi a agência da universidade onde trabalho.
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  2. Escolha e tempo em cada lugar
    2.1 Tenha clareza do que gostas de fazer e que tipo de coisas gostarias de conhecer:
    Se és um urbanóide que não curte insetos não planeje conhecer lugares famosos pela sua natureza e sim as cidades históricas; ou se não curtes ouvir as pessoas não planeje uma viagem de mochileiro se hospedando em casas de pessoas e sim em Hostels ou hotéis; se não toleras o frio não viaje no inverno e evite lugares assim, etc.
    2.2 Tem bem claro os motivos que te levarão a conhecer cada lugar, mas seja maleável ao chegar lá para imprevistos que te impeçam de cumprir teus planos à risca. Não te decepciones e sempre tenha ideia de um plano B e outro plano C na manga; por exemplo, antes de sair do Brasil compramos passagens de trem pelo EuRail, pacote para um mês livre. Chegando nos últimos 5 dias de viagem, que seriam em Portugal, nos deparamos com uma greve dos maquinistas – conclusão: deixamos de visitar um ou outro lugar por não existir outra forma de transporte e praticamente não andamos de trem nesse país.
    2.3 Após definido o roteiro das cidades e lugares, sugiro uma média de 2 a 3 dias por cidade e no máximo um dia em cada lugar-atração.
    2.4 Lembre-se que é bons ter uns dias para descansar, então a cada 3 dias, tente organizar ao menos um deles com programação mais parada, sem muitas caminhadas e de preferência em casa/alojamento ou arredores, quando será o tempo para recuperar as forças e lavar roupas, por exemplo.
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  3. Trânsito pelo local: trem, ônibus, carro, avião, a pé ou bicicleta
    Definido seu roteiro, escolha a forma de deslocamento local que mais lhe convém. Para comprar passagens, pesquise nos sites  e em sua agência de turismo favorita. Normalmente comprar por agência é mais seguro e as orientações compensam qualquer pequena diferença de preço em relação à internet. Planeje isso com antecedência e bem antes de sair do Brasil, junto à sua agência.
    Outra questão interessante é se for comprar passagem pela net, pesquise em um site generalista (como o submarinoviagens) e ao conhecer os melhores preços entre diretamente no site da empresa e compre por lá, SEMPRE sai mais barato pois os sites (como o submarino) cobram uma taxa de serviço para vender as passagens de terceiros.
    3.1 Trem:
    Para quem curte aproveitar a paisagem dos caminhos é a melhor opção. Pesquise em sites como http://www.raileurope.com.br/ (para cidadão que moram fora da europa) ou o http://www.interrailnet.com/ para quem tem moradia na Europa (pois este é mais barato mas só para quem mora lá) e após estas pesquisas veja as mesmas condições com seu agente de viagens. Para viajar quando estiver na Europa, veja os horários nos sites das empresas dos trens. Os melhores que visitei são das empresas alemã http://www.deutschebahn.com/ , austríaca http://www.oebb.at e suiça http://sbb.ch/.
    Alguns, como a alemã, são tão precisos que você pode colocar o nome do ponto de ônibus de onde vai sair até onde vai chegar que ele dá todas as conexões e os tempos de viagens (ao menos na Alemanha).
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  4. Máquina fotográfica
    Se você ainda não tem uma câmera fotográfica ou se deseja comprar uma melhor: DEIXE PARA COMPRAR NA EUROPA. Os preços são aproximadamente 1/3 a 1/2 do preço no Brasil – comprado em loja, com a desvantagem da garantia ser válida apenas lá. Mas se comprares logo que chegar já vale a pena. Comprei uma câmera e acessórios em Praga, na República Tcheca, muito em conta.
    Não compre uma MEGASUPERPOWER-câmera se não tens curso de fotografia ou muita experiência para utilizar todos seus recursos. Eu tenho alguns cursos profissionalizantes e disciplinas de fotografia pela universidade, e ainda assim compro só câmeras compactas pois tem todos os recursos que necessito. Comprar uma câmera cara sem ser profissional é como gastar uma grana comprando uma Ferrari para andar apenas no trânsito congestionado de São Paulo capital, ou nas ruelas pequenas e cheias de curva de cidades históricas de Minas Gerais. Um ótimo site para pesquisar as melhores câmeras para o seu caso é o http://www.cameraversuscamera.com.br/. Vale para ver modelos e comparar com outras opções equivalentes.
    Em Praga eu comprei uma câmera compacta com GPS, que já tinha pesquisado no Brasil antes de ir. As vantagens de uma câmera com GPS em uma viagem é que ela facilitará a sua localização quando for publicar suas fotos em sites que possuem georreferenciamento, que são os casos do Panoramio, onde posto as fotos de paisagens e lugares, e do Picasa onde publico as fotos pessoais, com pessoas, amigos, festas, etc.
    A câmera que recomendo, sem GPS é uma compacta comprada por causa da relação custo benefício e ótimo zoom e relativamente resisente, como a Nikon P100 ou posteriores (comparação aqui http://www.cameraversuscamera.com.br/cameras/np500/ck_np500.htm) e para quem gosta de georreferenciar suas fotos recomendo a Nikon Coolpix P7000 (http://www.cameraversuscamera.com.br/cameras/np7000/ck_np7000.htm), ou quem sabe algo como a Sony Cybershot DSC-HX5V (as Cybershot costumam dar problemas nos canhões das lentes, cedo ou tarde – http://www.cameraversuscamera.com.br/cameras/shx5v/ck_shx5v.htm), ou ainda algo como a Samsung HZ35W.
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  5. Levar ou não computador? E celular?
    5.1 Computador: Tens necessidade de usar o computador nas tuas férias? Te dispõe ao risco de acontecer algo com ele? E a carregar o peso? E a ter preocupação com segurança? Se respondeste afirmativamente para estas quatro perguntas leve-o, senão repense.
    Computador pode ser muito útil para conseguires informações de última hora. Mas não é em todo canto que existe internet, bem pelo contrário. O mais comum é existir rede gratuita, mas com acesso que necessita algum cadastro em local que desconheces e não está claro, o que torna seu uso inviável. Nos aeroportos a net é acessível mas sempre paga.
    5.2 Celular: se tiveres um aparelho com frequência que funcione na Europa, vale a pena cadastrá-lo em sua operadora para transmitir mensagens e receber as mesmas. Mas os custos de ligações recebidas e realizadas é indecente e não compensa. Talvez algum acesso a internet compense para não levar computador. Verifique antes se a frequência do modelo do teu aparelho funciona lá, junto à sua operadora e ainda assim esteja preparado caso não funcione (isso aconteceu comigo).
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  6. Segurança
    Passei um mês na Europa e não tive problema algum com furtos ou segurança. Mas ouvi alguns relatos de pessoas que foram furtadas em diversos lugares como trens e outras aglomerações. Por isso recomendo o uso constante de uma “doleira” ou micro-pochete de pano por baixo da roupa, onde deverás levar teus documentos e as notas de dinheiro de maior valor. Valores pequenos para uso rotineiro, como pagar o metrô ou ônibus, pode-se levar num bolso. Pelos comentários de conhecidos que vivem na Europa os países mais pobres são onde mais precisa se preocupar com furtos. Passeamos por países assim, mas não passamos por nada desagradável felizmente.
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  7. Seguro de viagem ou de vida?
    Pesquise bem antes de viajar e não saia de casa sem seguro.
    Existem seguros de vida, como o oferecido pelo Banco do Brasil, que cobre tudo o que acontecer em viagem, além de ser mais em conta do que seguro de saúde em muitos casos. Faça com antecedência de pelo menos um mês para poder entender bem como funciona e como acionar em caso de necessidade.
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  8. Quanto gastei?
    todos com quem conversei fizeram essa pergunta, como falei, depende de vários fatores com a época do ano, onde se hospeda e o que come.
    – Considerando que comprei as passagens para duas pessoas com antecedência de quatro meses;
    HOSPEDAGEM, considerando que fiquei hospedado em casa de amigos ou em CouchSurfing; mas em todos os casos eu fazia compras para a casa de todos os mantimentos para o período que fiquei em suas casas, além de levar-lhes algumas lembranças do Brasil como: CDs de música brasileira, artesanatos locais daqui, pão-de-queijo pré-pronto em pó que fazia com meus hospedeiros, e bebidas brasileiras;
    – que usei as passagens de trem para um mês prioritariamente, como já falei acima:
    Gastei com:
    Passagens de avião
    daqui de Florianópolis para a Europa para duas pessoas em outubro de 2010: U$1377,00 + TAXAS = R$2740,24 x 2 pessoas = R$5480,48
    Passagens de Trem EuRail para um mês para duas pessoas, primeira-classe, em dezembro de 2010: R$3.693,60
    Gastos lá: estadia, alimentação passagens urbanas (ônibus, metrô, etc), reservas para os trens, uma ou outra roupa e lembranças, tudo para duas pessoas durante fevereiro de 2011 (29 dias): R$ +- 3000,00 Eu fazia saques de 300 a 400 euros por vez em caixas eletrônicos que se encontra em qualquer lugar (no meu caso desde que tenham a bandeira PLUS, que é da Visa).
    TOTAL: R$ em torno de R$ 12.000,00 para duas pessoas.
    (Veja como guardar dinheiro para viajar e para outras coisas também – https://catracalivre.com.br/viagem/viagem-acessivel/indicacao/seis-formas-de-juntar-dinheiro-para-viajar-por-um-ano/).
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  9. Mala, mochila, tamanho e como arrumar?
    Se pretendes ficar apenas em um local acredito que malas são mais seguras. Mas se pretendes viajar por vários lugares leve mochilas e certifique-se que conseguirá carregar TODA sua bagagem na mão/costas por longas distâncias a pé caso seja preciso.
    Mas como fazer isso? Leve apenas o essencial e deixe espaço para as algumas peças de roupa que precisarás comprar por lá (veja item a seguir).
    O que é o essencial? uma peça de cada tipo de roupa e só!
    Eu levei o que considerava básico e mais um ou outro par de coisas que obviamente não usei. Tentarei lembrar minha lista básica:
    O que Levei e usei: um casacão duplo de penas com forro (que eu já possuia de quando morei nos EUA), duas calças grossas, umas 3 ou no máximo 4 camisetas e umas 2 ou 3 camisas, sendo uma de manga comprida e grossa. 5 pares de meias, sendo algumas grossas e uma polaina. Um par de luvas, um gorro bem bom de lã de alpaca ou algo assim dos andes. Cachecol. Cuecas.
    O que Comprei lá: consegui uma calça de esquiar com meu cunhado que me salvou em toda a viagem, as minhas daqui não davam conta do frio. Se ele não me emprestasse eu compraria uma. O mesmo em relação às luvas. Comprei uma meia-calça de inverno absurdamente quente que sempre que estava na neve eu usava por baixo de tudo.
    Como arrumar? enrolar as roupas faz com que elas ocupem melhor os espaços e se tornem mais fáceis de encontrar, de tirar e de colocar novamente na mochila depois.
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  10. Roupas adequadas e o que mais levar?
    Leve o básico, e apenas isso, e reserve algum(ns) dia(s) na sua programação para comprar roupas mais adequadas na Europa. Se vais para lá no inverno não adianta comprar roupa sequer no Brasil pois aqui não existe roupa adequada para neve. Em compensação lá encontramos roupas com qualidade superior pelo mesmo preço daqui ou menos. Estas mais econômicas encontra-se até em supermercados e grandes lojas de departamentos em promoções do tipo: casacão para neve, ou par de luvas para neve, ou meia-calça grossa (sim, isso me salvou várias vezes do frio e não é só para mulher) qualquer coisa por valores entre 5 e 20 euros no fim do inverno na Alemanha, em fevereiro.
    Levar fronha é bom, a não ser que você confie nos travesseiros alheios e nas últimas pessoas que podem ter babado neles.
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  11. Preciso saber falar o idioma de todos os países que irei?
    Sim, um pouco e em partes.. e Não, nada mais que isso se souberes se virar bem em inglês.
    Até na famosa Paris, onde sempre ouvi falar que todos se recusam a falar inglês, fui bem atendido em inglês em quase todos os lugares. MAS SEMPRE TOMEI O CUIDADO de perguntar em francês se a pessoa falava português, espanhol, inglês (sempre nessa ordem), quando as pessoas prontamente respondiam normalmente: English… e aí tudo seguia normalmente.
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    E sim, onde quer que vá, hoje em dia, somos obrigados a saber falar a língua inglesa, além de pelo menos mais uma além de sua nativa. E vale muito a pena aprender algumas frases na língua de onde vai, como cumprimentos, agradecimentos e perguntas básicas de orientação e ajuda. AS CULTURAS DE CADA POVO SÃO SEMPRE DIFERENTES DA NOSSA, PORTANTO JAMAIS POUPE EXPRESSÕES EDUCADAS COMO POR FAVOR E, MUITO OBRIGADO, de preferência na língua deles !!! (nada que um google translator não ajude a treinar antes de sair do quarto)
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  12. Diferenças culturais, aproveite esse tempero!
    Como acabei de falar, tome muito cuidado com diferenças culturais e por isso não economize em educação.
    Vale MUITO aproveitar todos os momentos que puder desfrutar da cultura de cada lugar. Enquanto estivemos lá tentamos provar as comidas locais e comê-las como seus nativos o fazem. Desta forma descobrimos muita coisa deliciosa!
    Já minha namorada fez questão de copiar músicas de cada país onde nos hospedamos, desde típicas até as populares ouvidas por nossos amigos.
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    Neste sentido uma cena nos chamou muita atenção, em Paris em um dia corrido pensamos em fazer um lanche rápido ao meio-dia e optamos por uma pizzaria que tinha um tentador prato de cogumelos. Entramos, aguardamos enquanto ouvimos na mesa ao lado as pessoas falando em português brasileiro. Prontamente perguntei se eram do Brasil, o que confirmaram e falaram orgulhosamente que estavam passando uma semana de férias em Paris e que no começo tiveram dificuldade para comer, mas felizes da vida disseram que no segundo dia resolveram tudo pois encontraram um restaurante brasileiro que servia um ótimo arroz com feijão, bife e batata e desde então quase sempre comiam por lá!!!!!!
    Que loucura!!!!???… você paga uma grana para sair do país e estando lá tudo o que quer é sua própria cultura??? Eu apenas respeitei eles e ri por dentro, mas bem… pesquise bem e tente aproveitar ao máximo a cultura alheia em sua viagem!
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    BOA VIAGEM, depois me conte tudo como foi e poste seu relato em forma de comentário aqui mesmo.

ENJOY IT!

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