Nesta quarta semana de maio de 2018 o Brasil “foi surpreendido” por uma greve dos caminhoneiros no país.

O governo historicamente faz campanha que iria reativar o sistema dos transportes por trem, além de investir nos transportes fluviais, já que temos muitos rios navegáveis. Mas essa ideia nunca saiu do papo.

Caminhoneiros

Consequentemente em menos de uma semana se instalou uma crise no país, inicialmente com o fim dos combustíveis nos postos de gasolina num desespero alarmado pela mídia. Como eles são o único meio de transporte adotado, também começaram a faltar alimentos para as criações animais confinadas, dependentes de importação de insumos. A mesma ausência se espera com remédios, em breve com alimentos, correspondências e outras necessidades básicas. Nestes quase cinco dias a cidade parou, pois não tem mais combustíveis para o transporte público.

Consequentemente as universidades, escolas e algumas empresas estão paralisando.

Reparam que todos estes problemas são consequências da centralização e monocultura ao contrário da diversidade?

Um pouco de história “semelhante” em Cuba

Ao final da queda do socialismo, com a queda do muro de Berlim e o fim da União Soviética – URSS, em 1989, que bancava a ilha de Cuba em troca de alimentos e materiais tropicais por combustíveis e insumos outros, a ilha, do dia pra noite, passou a ficar sem combustíveis, e os caminhões não conseguiam trazer alimentos do interior da ilha para as cidades.

Aconteceu exatamente o que se passa atualmente no Brasil em apenas uma semana, mas lá de forma permanente. Esta passagem ficou conhecida como a depressão cubana dos anos 1990, reforçada pelo bloqueio dos EUA, maior economia da época. Meses até começarem a se reestabelecer.

Em menos de um mês a população precisou aprender a diversificar sua forma de vida, fechando ciclos e indo contra a dependência energética global. Todos seus resíduos orgânicos (lixos) passaram a ser utilizados para a produção de alimentos nas ruas e telhados, o que ficou conhecido como organoponia. A falta de energia obrigou a muitos a passarem a captar água da chuva. O país passou a reformular suas formas de agricultura, pois não tinha mais como importar adubos derivados de petróleo, desenvolvendo assim uma agricultura em grande escala de forma um pouco mais sustentável. O restante da história já conhecemos bem, pois com o embargo o país se viu obrigado a investir no que realmente é importante para a população: educação e saúde de qualidade. Apesar de “pobre” economicamente, esse país tem toda a população com ensino superior, e a melhor saúde do mundo em atendimento médico e população atendida.

Muita permacultura se desenvolveu a partir daí, pois a permacultura é o melhor caminho para planejar ambientes sustentáveis permanentes.
* Veja mais sobre a permacultura cubana aqui, por yvyporã

e também no vídeo ao final deste texto: O poder da comunidade.

A permacultura e a crise energética mundial

A permacultura nos apresenta em sua ética três questões básicas a sempre serem lembradas:

  1. Cuidar da Terra
  2. Cuidar das Pessoas
  3. Limites ao crescimento e ao consumo, compartilhando excedentes, inclusive conhecimentos

E como a permacultura é uma forma de planejamento de ambientes humanos sustentáveis, seja uma casa, uma fazenda, um bairro, cidade ou até um país, ela traz alguns princípios de planejamento e formas de se pensar o espaço.

Destes, resumidamente, doze princípios destaco o décimo, que tudo tem a ver com este problema:

10. Use e valorize a diversidade!

Que traz como frase de exemplo:

“Nunca coloque todos os ovos no mesmo cesto”

O qual se reflete na metodologia de planejamento, que na permacultura nos ensina que quando pensamos em atender uma necessidade sempre devemos ter pelo menos duas ou três fontes ou formas diferentes de atendê-la!

Isso é reflexo das lições básicas de ecologia, lá da quinta série (ou sexto ano), onde aprendemos a importância da biodiversidade para a vida. Mas como nossa educação é linear e sistemática, pouco ou nada sistêmica, não aprendemos a fazer relações e reproduzir os princípios da natureza para todas as coisas da vida. Isto é o que nos ensina a permacultura.

Se o país fosse planejado, executado e legislado, numa forma permacultural, jamais existiria “apenas uma cesta para levar todos os ovos”!

é pra “desenhar”?

Os caminhões não seriam a única forma de transporte. Igualmente distribuídos TODOS os produtos iriam a seus destinos por trens, barcos e somente nos finais, por caminhões. Isso resultaria numa melhor qualidade de vida para os caminhoneiros.

Aliás, os derivados de petróleo não seriam a única fonte de energia para os veículos. O Brasil já se destacou como referência em veículos movidos a energia renovável…. mas assim como o lobby das indústrias de carros, existe dos combustíveis, que enquanto o petróleo não acabar não vão mover uma palha em nome das energias limpas.

Os produtos perecíveis não viriam de longe, então não nos preocuparíamos com a falta de alimentos. Aliás, seriam produzidos em todos os bairros e não no outro lado do planeta!

Aliás, os cultivos e criações não seriam monoculturais, e muito menos dependentes de insumos externos, que também dependem destes sistemas. Mas como também existe lobby de indústrias alimentícias, existem de agrotóxicos (venenos, “defensivos”), inclusive com um grupo grande e influente do agronegócio dentro do governo, como sempre não representando a população, só interesses próprios.

O mesmo serve para os remédios e medicamentos.

Enfim, as cidades não teriam tanta concentração de pessoas, pois isso nos fragiliza!

Os resíduos (lixos) orgânicos, assim como os esgotos deveriam ficar nas suas ruas ou bairros de origem, e deles ser possibilitada a origem de alimentos orgânicos para a população local em hortas comunitárias. Já os resíduos inorgânicos não deveriam existir, simples assim.

Ou mudamos todas essas formas de viver, de produção e principalmente de consumo, ou continuaremos dependentes do sistema para tudo. Não temos obrigação de alimentar o sistema, e o estado deveria nos possibilitar isso incentivando essas iniciativas, promovendo-as.

E é isso que busca a permacultura, possibilitar que não fiquemos tão dependentes dos meios externos para viver. Vale conhecer!


Links relacionados:

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veja mais em: http://sitionosnateia.com.br/2018/05/pico-do-petroleo-permacultura/ 

 

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