Tag Archive: Política


Como já dizia o cantor:

“Hiprocrisiiaa… eu tenho uma pra viveer! Pra viveer…”

Ops, acho que não era bem isso.

Mas a paródia à Ideologia, de Cazuza, ainda cabe. Em tempos, em que o dualismo de ideologias talvez só tenha estado tão em voga (e tenho cá minhas dúvidas) na Guerra Fria, pessoas trazem consigo, física e atualmente também virtualmente, discursos ideológicos cada vez mais cheios de sentimentos, outras de conteúdos inclusive. Mas na prática a coisa não é bem assim.

Vale lembrar a regra máxima do respeito, ou da liberdade:

Minha liberdade termina quando começa a liberdade da próxima.

E como tenho me revoltado muito com os discursos vazios e a hipocrisia do dia-a-dia, fiz uma lista de exemplos pra ver quantos nos identificamos. Não que eu seja perfeito. Não que não tenhamos intenção de fazer uma coisa mas consigamos agir exatamente ao contrário de vez em quando. Não que não sejamos ignorantes e diversas vezes nem percebemos a hipocrisia em nosso discurso. Mas temos que ficar ligados e por isso fiz esta lista: pra galera se antenar. Existem hipocrisias de todos os tipos e magnitudes. Vamos lá?

Hipocrisias no trânsito:

  • Reclamar de engarrafamento mas ir de carro pro trabalho.
  • Reclamar do trânsito parado mas estar sozinho dentro do carro.

Hipocrisias ambientais:

Tem nível superior ou está na faculdade, portanto já estudou pelo menos 12 anos da vida e ainda:

  • não sabe apagar a luz ao sair dos ambientes;
  • não sabe guardar bituca de cigarro pra jogar na lixeira;
  • aliás, nem sabe jogar lixo seco nas lixeiras e ainda joga no chão, ainda mais as feitas para recicláveis.

Outras ambientais:

  • Fazer campanha para abaixo-assinado para salvar as baleias, mas jogar plástico nas ruas ou comer carne.
  • Tem dó de cachorro ou animais abandonados ou de maltratos a animais (cães, cavalos, gatos), mas come carne de animais criados confinados.
  • Se preocupa com a preservação dos mares, e/ou tem adesivo no carro “Destrua as ondas, não as praias”, mas come peixes (que foram pegos em pesca industrial e levam à maioria dos bichos aquáticos à extinção).

Hipocrisias Sociais:

Pessoas em situação dominante, ou não oprimidas tomando decisões importantes pelas oprimidas sendo que estas estão presentes.
Bora desenhar, digo, descrever:

  • Homens brancos tomando decisões que afetam mulheres negras;
  • Homens hétero cisgênero tomando decisões para mulheres ou para pessoas não cis (trans, gays, bi);
  • Ricos tomando decisões que afetam aos pobres;
  • Religiosos tomando decisões que influenciam na liberdade de pessoas não religiosas.

Outras sociais:

  • Policiais enfrentando/batendo em civis que se manifestam em luta pelos direitos dos policiais.

LINKS – LEIA TAMBÉM:

Páginas interessantes sobre o assunto, com outras opiniões. Leituras complementares. (Os links a seguir não necessariamente representam a opinião deste autor, alguns inclusive contradizem. Tem, portanto, função de enriquecer a discussão e fazer você desenvolver sua própria opinião.)

1.

 

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Nesta madrugada recebi um convite de um amigão, ambientalista mas partidário do governo municipal e federal.

Em seguida respondi ao convite, pois se tratava de um projeto de hortas urbanas para baixa renda, algo de veras interessante visto o prefeito que temos, mesmo eu questionando os meios. Eis que inicia uma conversa que durou uma horinha, e a transcrevo abaixo pois considerei mega didática, explico-me:

Se eu tivesse criando um texto dramatúrgico com esse tema querendo mostrar o estereótipo da visão de um governante versus a visão de um ecoanarquista, não sairia tão bom!

Segue o texto, o nome e a foto do amigo serão ocultados por razões óbvias, pois realmente não vem ao caso.

SEX 2/6/2017 23:48

Amigo
Amigo

 

SEGUNDA-FEIRA (05 de Junho de 2017), às 14:30, acontecerá a Assinatura do Decreto de Criação do Programa Municipal de Agricultura Urbana. A cerimônia também será na Sala de Reuniões do Gabinete do Prefeito (Rua Tenente Silveira, 60, 5º andar – Centro).

SÁB 3/6/2017 02:09

Marcelo
Muito legal
Demais mesmo. Obrigado
Amigo
Lembrei de ti
Vais lá
Marcelo
Verei a possibilidade. Tenho interesse sim
Amigo
Legal
Acabei de ter uma decepção Estudando culinária
Marcelo
Hahaha que passou?
Amigo
Descobri que o Califórnia Roll
Foi inventado em Vancouver
Marcelo
Hahahaha
Amigo
Esse mundo 50% das coisas são fake mesmo
Marcelo
E nem existia um original de referência pra chamarem de tipo
É a clássica piada que fazem do chapéu Panamá
Que não é de lá
Amigo
Hahhaa
Mas esse eu achei que era mesmo
Marcelo
Pois é… Coisa estranha. Na Europa valorizam muito a origem, que dá nome ao alimento. Na América querem ganhar em cima do que der dinheiro. Então o direito autoral surgiu com o capitalismo selvagem americano (do norte)… Faz todo sentido. Isso é muito raro na europa
Ao menos calabresa vem da Calábria, champagne da França e por aí vai… Ainda.
Amigo
Japan to honour Vancouver chef credited with inventing California roll
The Japanese-Canadian sushi chef who is said to have invented the California roll will be honored Thursday by the Japanese government for his role in promoting Japanese cuisine.
ctvnews.ca
Marcelo
Hahaha
Mas será que a pizza Califórnia foi inventada lá?
Se sim pode ter sido só homenagem, pelo mais que eu não veja relação
Amigo
Pse
Tava lendo essa semana sobre a baunilha do cerrado
Tu já viu?
Baunilha do Cerrado – Slow Food Brasil
O Slow Food é um movimento internacional que reúne pessoas apaixonadas por gastronomia, celebra o alimento de qualidade e o prazer da alimentação, conheça a atuação do Slow Food no Brasil. Fazem parte dessa rede: cozinheiros, pesquisadores, comunidades de produtores de alimentos etc. É um movimento…
slowfoodbrasil.com
Marcelo
Sim, tô ligado. Não li mas já havia estudado sobre e ouvido a respeito
Tivemos uma palestra nesta semana com uma amiga, colega, que trabalha com o slow food e falou do projeto Arca do gosto
Esse sim é uma puta ótima referência
Amigo
Me.conta mais
Marcelo
Não sei muito, mas é coisa do slow food, pela preservação e valorização dos pratos e tradições locais
Usando alimentos endêmicos
Amigo
Legal
Eu estava estudando temperos e daí descobri a baunilha do cerrado
Marcelo
Seria como criar um projeto pra salvar o berbigão da tapera
Amigo
Dá 300 a 400 kilos por hectare
O kilos está 250 dólares
Marcelo
Mas esse não tem salvação, visto que o aterro da baía que levou ele a extinção
Marcelo
Claro que pra capitalista o valor é o que importa. Já pra naturalista é a valorização da genética endêmica através da cultura local. O ambientalista vai querer valorizar o que é de lá ao preço que for. O capitalista vai levar sementes e tentar produzir igual em outro local mais barato, e assim criar o tipo comercial. De preferência produzindo em grande escala, e fazendo baixar o preço, e levando a comunidade original à pobreza, consequentemente a extinção do recurso que deu nome ao produto. Essa é a diferença entre um naturalista e um capitalista.
Marcelo
É por isso que o slow food luta pela valorização do lado NO local
Amigo
Eu estava pensando em plantar baunilha para aumentar a renda de famílias carentes
Marcelo
Pra famílias carentes tem muitos produtos rentáveis. Se aumentar a produtividade vai cair o preço
Pra famílias carentes ensine a plantar agrofloresta biodiversa onde terão todos os alimentos que precisam pra viver, e não commodities
Onde ficarão independentes do mercado em caso de crise e não reféns dele caso o preço caia.
Amigo
Mas a conta que eu fiz era
1 hectare
Daria uns 230 mil de baunilha
Por baixo
Da de pagar todo o projeto
Contratar uns dois agrônomos uns dois botânicos
E ainda dar uma bolsa de 1500
Para 80 adolescentes
Marcelo
Mas pra produzir isso precisa de uma floresta preservada, um clima igual o de lá, e se der certo vai baixar o preço, e levar as famílias de lá a terem que cair nesse papo e destruírem a floresta pra plantar algo que de dinheiro, assim o ciclo se perpetua
Amigo
Da de plantar no sertão do Peri
Eu acho
Marcelo
Pense localmente, sempre
Valorize o local
Amigo
Tinha um francês que plantava baunilha lá.
Foi embora não sei pra onde
Marcelo
No sertão do peri tem uma cultura local. O que ela tem de diferente. Valorize isso e não traga de fora
Amigo
Da de fazer os dois né
Sempre monto projetos que não. Dependem.do governo
Que são sustentáveis por si
Marcelo
Ainda assim, se pensas na comunidade, no social, não pense no retorno financeiro
Se são sustentáveis não dependem de dinheiro
É contraditório
Amigo
Eu não acho
Tudo.tem.custo
Quanto um botânico vai cobrar
Marcelo
Isso é o que dizem economistas. Eles querem que tenha, senão não terão emprego, rs
Custo sempre tem. Financeiro que não necessariamente
Amigo
Quanto um botânico vai cobrar
Tu consegue 8 instrutores de graça por. 2 anos para um projeto desses ?
Marcelo
Não pense quanto que ele vai cobrar. Pense: se a comunidade local já sabe fazer , pra que vai precisar um botânico? E depois, o que eles precisam pra viver? Esse é o custo. A sustentabilidade está em fazer o local produzir tudo o que precise pra viver
Amigo
6.1. Impactos Econômicos Promoção da autonomia financeira dos beneficiários através da geração de renda: por mais que durante a participação no projeto, os hortelãos ainda dependam de subsídios da Prefeitura com a ajuda financeira, de materiais e sementes, ao atingirem a emancipação, os sujeitos começarão a gerar renda através da venda de sua própria produção. Desta maneira, o projeto visa a transformação de cidadãos que antes eram considerados uma desvantagem econômica ao Governo por dependerem de verbas públicas, em pessoas ativas economicamente, em potenciais consumidores de produtos e serviços, contribuindo para a dinâmica econômica urbana. Há diminuição de gastos com a alimentação, uma vez que os próprios hortelãos consomem os excedentes da produção da horta. Além disso, o projeto oferece empregos dentro da comunidade, não havendo necessidade de grandes deslocamentos (o que é bastante atrativo numa cidade onde os transportes públicos são ineficientes e o trânsito se encontra cada vez mais intenso) e acessíveis aos moradores. Com isso, também há a menor procura dos jovens para entrar no mercado do tráfico de drogas, onde na equipe de Manguinhos há jovens que trabalhavam com esta atividade e buscaram o emprego de hortelão no projeto. Estímulo à economia solidária: desde o início do projeto, os beneficiários são inseridos em uma nova forma de gestão de trabalho e divisão dos lucros de base associativista e igualitária. Os hortelãos realizam a autogestão da horta e o método de trabalho em mutirão. E mesmo durante o desenvolvimento da horta com o aparecimento de problemas e divergências na equipe, os gestores do PHC buscam soluções em conjunto com os hortelãos, utilizando-se dos saberes e experiência dos integrantes e fortalecendo os laços de cooperação.
Marcelo
E não no valor financeiro disso
Amigo
onde o cenário de extrema violência, desigualdade econômica e descaso político influencia na formação de suas opiniões, percepções de mundo e personalidades. Então, princípios como cooperação, altruísmo e igualdade são de mais difícil concepção e desenvolvimento para estas pessoas que convivem em um ambiente hostil, e dentro de uma sociedade que estimula o individualismo e a competição, cujo cenário político é marcado pela corrupção, do que para indivíduos que vivem em um ambiente harmonioso com referências positivas como solidariedade e cooperação.
Marcelo
É isso aí. Mas tudo melhora justamente por melhorar a qualidade de vida e independência.
Marcelo
A diferença é que um projeto de verdade quer a independência e vai fazer isso com toda a comunidade. Um político (queiro) não quer que uma comunidade fique independente dele, senão vai perder votos. Isso pode acontecer em nível micro, por exemplo um líder de comunidade. É por isso que os contatos pra iniciar um projeto desses não podem ser com as lideranças comunitárias, e sim diretamente com o povo. Mas isso dá muito mais trabalho.
Marcelo
Mas a ideia é ótima, é por aí mesmo.
Amigo
Então
Eu calculei 4 profissionais acompanhando a comida do por 2 anos
A comunidade por 2 anos
Até eles tocarem sozinhos
Só de agrônomo e botânico dá uns 15 mil mês
Material uns 20 mil mês
Fora as bolsas
Marcelo
Tudo bem se quer pensar assim, mas se quer a sustentabilidade pense em valorizar um produto e cultura local, e a diversidade do lugar, em vez de importar outra cultura, entende? Vise a autonomia completa
É não apenas financeira
Amigo
Tu já pensou a Alemanha sem batata?
Eu sei Marcelo
Mas.tem que começar
E o melhor jeito é ser viável economimente
Marcelo
É um ponto de vista de alguém que acredita no capital. Normal. Se fosse o certo não haveria fome. As pessoas felizmente não comem dinheiro, e por isso não é sustentável.
Cooperativas deixam de dar certo qdo dão lucro a alguém, não é a toa.
Amigo
Mas tu iria trabalhar lá sem ganhar nada
?
Marcelo
Elas passam a eleger sempre os mesmos e deixam de ter o espírito real de cooperação…
Claro, Não precisa de dinheiro pra viver. Preciso de comida, casa, transporte, diversão… E não dinheiro. Se monetarizar isso, acaba a verdade e passo a viver de ilusão. Se meu trabalho (que não é a mesma coisa que emprego) me der tudo o que preciso não precisarei de dinheiro.
Entende? Inverta a lógica. Isso é sustentável de verdade.
Amigo
Sim Claro
De economia já li quase tudo
Inclusive to vendo a regulação da bitcoin
Em Brasília
Mas falando especificamente desse projeto
Marcelo
Rs
Amigo
Se tiver um jeito de fazer sem dinheiro eu faria
Eu por exemplo não vou ganhar nada
Marcelo
Esse povo que vive do econômico, rs
Já ganhas, como acessor, imagino
Amigo
Agora se tu conseguir voluntários formados comprometidos
Marcelo
Se não vai ganhar nada quer dizer que vai deixar de ser acessor?
Amigo
É assessor
Eu não
Sou funcionário concursado
Marcelo
Cara, se buscar local, se consegue. Mas se deixar entre a liderança local existente, estes vão colocar o amigo, pois querem manter o poder… E não o mais capacitado. Aí o projeto vira um natimorto.
Então, melhor, vc sendo concursado já ganha teu salário. Isso é bom. Mas já estás fazendo isso em hora extra imagino?
Amigo
Como assim?
Marcelo
Entende que o que importa não é o dinheiro?
Rs… A conversa vai longe.
Amigo
Já falei lá em cima que entendi
Eu sei que até novembro
Marcelo
Dá vontade de copiar ela e publicar. Acho que está bem didática.
Amigo
Que implementar um projeto
Marcelo
Acho muito massa isso
Amigo
E tirando eu
Todo mundo quer cobrar
Hahaha
Até esses caras se ônus
Marcelo
Quero só te ajudar a pensar numa forma que teu projeto de certo, percebe?
Amigo
Ongs
Então
São dois anos
Até a população tocar por si
Marcelo
Sim, entendo. Eles estão dentro de um sistema que pensa assim
Amigo
Até la
São dois agrônomos dois botânicos
4 peões auxiliares
Material de trabalho
E para não depender eternamente de verba ou doação
Marcelo
Mas só te digo uma coisa. Não entre com um produto definido. Deixe, de verdade, que a comunidade local decida com o que eles querem trabalhar
Amigo
Tem que ter algo que de retorno
Mas não precisa ser só aquilo
Eles podem plantar mandioca. Maracujá. Temperos
Mas tem que ter algo que de de fazer o projeto se manter por si
Marcelo
Claro.
Marcelo
Mas o se manter não precisa ser financeiramente. Talvez no começo, já que estamos num sistema que ainda não sabe pensar diferente, tem que ser. Mas o objetivo final não pode ser esse, e sim o da independência, da soberania alimentar comunitária sem importar nada de fora. Só assim eu acredito que será viável de verdade no futuro. Pq além disso, o resto é literalmente lucro.
Marcelo – 03:34
Boto fé nas tuas intensões, e espero que o que falo, falamos, ajude em algo. 😉
Altas conversa meu amigo. Mas meu braço tá véio pra teclar tudo isso no celular… Vou dormir. Muito obrigado pela inspiração, bom papo mesmo pra madrugada!

 

 

No dia 17 de outubro de 2010 recebi um texto do cientísta político Lauro Mattei, da UFSC, comparando a campanha eleitoral de 1989 com a deste ano (Texto abaixo).

A grande surpresa é que hoje vi a notícia na TV do candidato José Serra, do PSDB, dizendo que a agressão que recebeu ontem no RJ foi muito bem planejada… sim, pelo PSDB para denegrir a campanha do PT, como aconteceu em 1989.

Não votei no PT no primeiro turno e estava bem decidido a não votar também neste segundo turno, mas o baixo nível das campanhas de ambos candidatos me deixou sem opção. O que mais tem me divertido nesta campanha são as contradições históricas, que tem sido motivo de piada. Por exemplo a clássica crítica do pessoal que apóia ao (moto-)Serra ao programa dito paternalista que é o Bolsa-família, que dá até R$200,00 por mês por família (NOOOOSSA!), e que tirou muita gente da pobreza levando um mínimo de dignidade pra quem realmente precisa.

Agora o palhaço do Serra quer dar 13. para os atendidos pelo Bolsa família além de aumentar seu valor. Aí sim que não estimulará o trabalho… é um apelão mesmo. O 13  salário é a recompensa ao trabalhados por um ano de trabalho, não faz sentido para bolsista, não acha?

Outra piada deste “atentado do PT ao Serra no RJ” foi que o candidato se disse atingido por um rolo de durex, e teve que ir à UTI fazer ressonância magnética, e ficou o dia seguinte sem atividades (ó coitadinho…). Na mesma notícia falaram que a jornalista foi atingida por uma pedra na cabeça, sangrou… e foi atendida no local. Serra riquinho faz tomografia por causa de rolo de durex (ou bolinha de papel?). Jornalista pobre é só atendida no local. Pobre se for esperar tomografia ainda fica 6 meses na fila do SUS. Sem comentários.

Re-lendo o texto lembro das apelações que faziam contra Lula: Collor chegou até a profanar que se o outro ganhasse mudaria a bandeira do Brasil colocando uma estrela vermelha no meio e uma foice e um martelo… rsrsrs

Leia o artigo do vidente Lauro Mattei, abaixo.

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O SEGUNDO TURNO DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2010 E O RETORNO ÀS ELEIÇÕES DE 1989

LAURO MATTEI – Professor de Economia da UFSC. Reflexão feita em 16.10.2010

O segundo turno das eleições presidenciais de 2010, além de desvelar algumas das principais contradições da sociedade brasileira, revela também alguns métodos que obrigatoriamente nos levam a rever fases históricas anteriores, particularmente o processo eleitoral de 1989 e o seu turno decisivo.

Para as gerações que não viveram aquele momento é importante recordar os principais traços daquele processo eleitoral. Devido ao regime militar, o país voltou a escolher eleitoralmente um novo presidente após as últimas eleições realizadas em 1960, portanto lá se foram quase 30 anos sem se eleger presidentes da república.

No primeiro turno das eleições de 1989 quatro candidaturas representavam as facções da elite brasileira: Aureliano Chaves (agrupava membros do PP e PFL na época representados pela Arena); Guilherme Afif Domingos (representava os democratas cristãos e aliados); Collor de Mello (representava facções das oligarquias atrasadas regionais); e Ronaldo Caiado (representava a direita ultra conservadora e os interesses latifundiários). No campo democrático popular situavam-se as candidaturas de Brizola e Lula e no centro da arena política a candidatura de Mario Covas (PSDB). A disputa colocou Lula e Collor de Mello frente a frente no segundo turno.

É no segundo turno que a campanha eleitoral escancara seus métodos mais arcaicos, preconceituosos e fascistas. Embalada por um lindo clip de Chico Buarque, Gilberto Gil e Djavan e pelo apoio popular, a campanha de Lula se torna uma ameaça real ao poder político dominante. A partir daí a elite conservadora, sem qualquer prurido, usou de todos os métodos disponíveis, destacando-se os piores deles: espalhar o medo, o preconceito, a intolerância e o ódio na sociedade, procurando demonizar a pessoa do candidato Lula.

Vejamos alguns exemplos. Visando deter o avanço da candidatura do adversário e obter apoio da igreja católica, o programa de Collor de Mello levou ao ar durante dias declarações de uma ex-namorada de Lula que afirmava que ele queria ter feito o aborto, mas que ela não concordou (o famoso caso Lurian, filha assumida de Lula). Portanto, estava dada a senha para explorar politicamente uma questão religiosa que tanto divide opiniões na sociedade brasileira e que somente poderá ser decidida com um plebiscito, a exemplo do caso recente das armas: usar o tema do aborto para atingir politicamente o adversário.

Outro método muito utilizado foi espalhar o medo através de uma onda de boataria (como na época não existia internet esse trabalho acabou sendo feito pelas rádios e pequenos jornais de todo o país) que afirmava que se Lula fosse eleito as casas seriam tomadas, a poupança (que na época era uma pequena garantia para classe média e parte da classe popular com acesso à rede bancária devido à crise econômica) seria confiscada e, no limite, as crianças seriam raptadas pelo comunista Lula que não gostava de crianças. Além disso, espalhou-se pelo interior do Brasil que as propriedades dos agricultores seriam tiradas porque Lula queria fazer uma reforma agrária radical.

Além disso, procurou-se identificar a pessoa de Lula como sendo um terrorista. Para tanto, nada melhor do que o gesto de colocar a camiseta da campanha de Lula em alguns dos seqüestradores do empresário Abílio Diniz, durante o resgate efetuado pela polícia uma semana antes do pleito decisivo.

Também se buscou associar a figura de Lula à baderna e à desordem burguesa. No primeiro caso, forjou-se uma grande confusão na reta final das eleições em um comício do candidato adversário na cidade de Caxias do Sul (RS). Tempos depois se soube que os causadores da confusão tinham sido pagos pelos próprios organizadores do evento (campanha de Collor). Para mostrar a possível desordem que tomaria conta do país, associava-se Lula aos grandes movimentos grevistas do final dos anos setenta e início dos anos oitenta.

E para não me alongar mais nesses métodos arcaicos e fascistas, veio o seu golpe final protagonizado pela imprensa burguesa. Registre-se aqui a famosa manipulação do último debate entre os candidatos orquestrada pela Rede Globo de Televisão, com influência decisiva sobre o resultado das eleições.

Todos esses fatos – longe de representar um padrão civilizatório – eram justificados pelas elites, afinal o país precisava reaprender a conviver democraticamente após décadas de regime militar. Os fatos atuais, todavia, parecem demonstrar que uma parte da sociedade brasileira ainda não aprendeu e/ou não consegue conviver com a pluralidade de opiniões e com alguns preceitos básicos da democracia.

Além de resgatar os elementos do processo eleitoral de 1989 (aborto, terrorismo, baderna, preconceito e o medo), o processo eleitoral atual acrescenta alguns fatos novos.

A campanha do adversário da candidata situacionista explora ambos. Sobre o aborto é mais que visível para todos. Sobre terrorismo, a campanha de Serra resgate os preceitos do Presidente Bush Filho que entrou na cruzada do bem contra o mal, não importando quantas vidas ficassem pelo caminho. É por isso que Serra é o “homem do bem”. O tema da baderna aparece sorrateiramente na campanha tentando identificar o passado de luta pela democracia da candidata Dilma como guerrilheira. Neste aspecto, Serra é um péssimo exemplo, pois preferiu a sombra e água fresca das praias chilenas a permanecer no Brasil e lutar junto com os grupos militantes dos quais Dilma fazia parte. O preconceito – que não pode ser usado da mesma forma que foi usado contra Lula, afinal Dilma tem escolaridade superior também – aparece através de campanhas difamatórias procurando atingir o íntimo da candidata adversária. Finalmente, o medo aparece travestido na tentativa de mostrar que a candidata situacionista nunca exerceu nenhum cargo executivo e poderá delegar o poder para outras figuras políticas indigestas à burguesia nacional, enquanto que o candidato oposicionista já exerceu todos os cargos possíveis. Na verdade, esse argumento que agrupa o medo ao preconceito já foi tão bem explorado na campanha eleitoral de 2002 do próprio Serra, ou seja, vive-se hoje uma repetição dos métodos utilizados naquele momento anterior.

Mas há também fatos novos no turno eleitoral atual. O mais importante deles é o preconceito de gênero, pois a sociedade brasileira sempre foi e continua sendo fortemente machista. E é esse machismo que dá origem a campanha de ódio em relação à candidata oficial. Juntando-se isso ao preconceito de classe – afinal o governo atual está muito dedicado ao combate à pobreza – têm-se todos os ingredientes necessários para criar um clima de intolerância que ultimamente se espalha por todos os lugares, particularmente nas escolas fundamentais e básicas, onde até crianças estão sendo utilizadas para disseminar tal método.

Além disso, observa-se um comportamento distinto da mídia nas eleições atuais. Com seus colunistas e formadores de opinião, a mídia impressa e falada fortaleceu seu pacto com todas as demais facções da elite e, diferentemente das eleições de 1994, 1998 e 2002 – em que atuava fazendo denúncias – atualmente procura influir diretamente os resultados eleitorais, seja orquestrando uma campanha midiática contra o Presidente Lula e sua candidata tentando explorar suas tendências totalitárias e contrárias à livre imprensa, seja apoiando diretamente o candidato da oposição, além, obviamente, do contínuo uso dos métodos tradicionais de manipulação das informações.

Estes e muitos outros fatos elucidam a existência de um forte movimento político conservador que toma conta da vida política brasileira, que também pode ser observado em outros países. Talvez o caso mais eloqüente seja o “Tea Party”, movimento conservador extremista fortalecido recentemente nos EUA para se opor as políticas do presidente Obama, que claramente optam pelo apoio as classes sociais menos favorecidas.

Assim, é possível concluir que está em jogo neste momento no país o projeto de sociedade que se quer para o futuro. De um lado, mesmo com todos os desvios e lacunas, encontra-se um projeto democrático e popular que vem sendo construído há décadas e que o Governo Lula é apenas parte dele e, de outro, o projeto das elites que procuram perpetuar a história da sociedade brasileira, cuja marca não é o medo e a intolerância, mas a exclusão social, a pobreza e a miséria de grande parte da população.

Esse último projeto é representado pela candidatura Serra, por isso ela representa um retrocesso para todos os brasileiros.

inspirações da madrugada OU conversas com o travesseiro, em breve num cinema perto de vc!

Fator partido político em um Live RPG vampiro OWBN

Ambiguidades ou dicotomias de um mundo vampiro presentes na proposta de um partido político de fantasia:

A dicotomia tradicional do vampiro: um ser da noite, morto e de certa forma poderoso, mas que depende de sangue humano para viver e pode ser destruído só de ser exposto ao Sol o que o torna absurdamente frágil e ainda assim um ser em busca constante de poder dentro de sua sociedade refletindo as piores ambições humanas.

Toda essa dicotomia e uma infinidade de simbolismos pode aparecer em um partido político criado no jogo de vampiros: PVVB = Partido Verde Vermelho Brasileiro!

Partido político é algo essencialmente humano e que no Brasil também reflete todas as piores ambições humanas e comumente nos lembra os vampiros. Este partido trata de algo essencialmente na moda, em voga, em alta, o que me surpreende de ainda não existir no Brasil: questões sociais e ambientais em um só lugar.

Tem como símbolo a foice e a folha = FF.

Foice cortando a folha (fazendo alusão à foice e o martelo comunistas). A foice refletindo o trabalho, o lado Vermelho: social do discurso, comunista de bandeira e anarquista puro em princípios baseado em Piotr Kropotkin (vejam na wikipedia) o que por si já atrai o outro V (de verde e não apenas de Vampiro). Maravilhoso num discurso ideologista lindo utópico e por mim sonhado. Mas infelizmente deturpado pela modinha… então vamos a ela.

A folha reflete o lado verde, ambiental, ecológico, modinha tanto quanto o social na atualidade mas bem distânte da prática. Que na dicotomia do símbolo a folha aparece sendo cortada pela foice do trabalho. Na real seria mais um partido brasileiro que “sem saber” destrói a natureza em busca de um bem social comum, que seria a desculpa do trabalho?

O FF (Foice+Folha) nos transmite as origens do partido do Hitler. Mera coincidência? Mais um segredo oculto na simbologia indiscreta.

Os números escolhidos para o partido também não foram a toa: 66, que se formar os números de campanha pode facilmente aparecer o 666 que nos remete a Satanás, que nos lembra Caim, patrono dos Vampiros. Tudo a ver com o espírito político brasileiro. Numero de campanha do Yóri: 66606.

PVVB = os dois Vs seguidos lembram dentinhos de vampiros, essa é mais uma ideia de relacionar a política ao jogo, onde ela é absurdamente presente. Falta dizer que um dos dentes ainda é vermelho, como se estivesse sujo de sangue.

Portanto, na real, a minha proposta de criação deste “partido” é uma ideia que pode ser real um dia, mas no fundo do jogo é uma crítica sarcástica ao nosso modelo sociopolítico brasileiro sendo completamente refletido em nosso jogo de RPG One World By Night. Que em verdade vejo como um senhor meio para preparar as pessoas para a vida através do Role Playing, da simulação, através de uma brincadeira saudável e gostosa vivida em outra realidade por apenas um dia por mês.

Uma campanha com fundo bem real

Discurso “na moda” = socioambiental:

Pensei nesta madrugada também em uma das bandeiras de campanha do Ioreci – Yóri da Caieira:

Bicicleta feita de bambu: através de cursos com apoio do governo por meios já existentes (como SESC com apoio do comércio) proporcionar a capacitação de comunidades carentes na cadeia produtiva do bambu, desde seu plantio ecológico, até a confecção e venda de bicicletas de bambu, o que também estimula a essas pessoas a terem hábitos de vida saudáveis além de reduzirem o uso de carros e combustíveis fósseis, gerando melhorias sociais (emprego, ocupação, saúde), econômicas (renda, criação de mais uma cadeia produtiva no mercado) e ambiental (reduz poluição, reduz caos urbano, gera bem estar).

Referências:

http://www.bamboosero.com/index.html

NÃO DEIXEM DE VER

O que acham? O yóri já pode ter tido uma experiência em pequena escala desse projeto nas comunidades carentes que circundam o Ribeirão da ilha e quer repassar isso para todo o estado de Santa Catarina! (UAU, até parece o discurso do ex-governador Luis Henrique)

Yóri da Caieira – Deputado Estadual!

Quer Jogar Live RPG? pra saber mais vá em http://www.rpgfloripa.com.br/

30 jul 2010

3:56 am

por Marcelo Venturi